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Conselho de Direitos Humanos aponta avanços e desafios na Guiné-Bissau   BR

Edifício da Assembleia Nacional Popular, Palácio Colinas de Boé, em Bissau, Guiné-Bissau.
Alexandre Soares Palácio Colinas de Boé, edifício da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau.

Conselho de Direitos Humanos aponta avanços e desafios na Guiné-Bissau  

Direitos humanos

Revisão Periódica Universal foi aprovada essa semana em Genebra; documento pede continuação de investimento na área da saúde e destaca avanços na proteção de trabalhadores migrantes; por outro lado, lamenta casos de casamento infantil e mutilação genital feminina.

O Conselho de Direitos Humanos aprovou esta semana a Revisão Periódica Universal da Guiné Bissau, destacando avanços e desafios para o país de língua portuguesa.  

A Revisão é um mecanismo de análise e prestação de contas do conselho. Das 197 recomendações, 193 contaram com o apoio da Guiné-Bissau e quatro foram registradas. 

Um grupo de homens e meninos joga xadrez em frente a um prédio em Bissau, Guiné-Bissau.
As autoridades  guineenses também reformularam o currículo escolar do primeiro ao sexto ano, Alexandre Soares.

Avaliação 

A aprovação acontece depois de o Estado guineense ter produzido um relatório sobre o tema, bem como especialistas e grupos independentes de direitos humanos. 

Durante a discussão, a vice-presidente do Conselho, Socorro Flores Liera, leu uma declaração do ministro da Justiça da Guiné-Bissau, Fernando Mendonça. 

Desde a revisão feita há cinco anos, o governo implementou o decreto criando o Escritório para a Recuperação de Bens de Crimes e Administração de Fundos de Atividades Criminosas. 

As autoridades  guineenses também reformularam o currículo escolar do primeiro ao sexto ano, incluindo unidades sobre direitos humanos, cidadania, igualdade, gênero e lei ambiental. 

Respostas 

Vários Estados-membros comentaram depois a atuação do país nesta área, incluindo Cabo Verde. Os representantes destacaram os progressos alcançados e pediram o reforço contínuo da cobertura e infraestruturas de saúde, bem como à formação da mão-de-obra nesta importante área. 

Eles tomaram nota dos esforços dados para promover e proteger os direitos dos trabalhadores migrantes no país, ratificando a Convenção sobre a Proteção de Todos os Trabalhadores Migrantes e Membros de suas Famílias.  

Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano, a Guiné-Bissau está na posição 178 entre 189 países

Os representantes consideraram “lamentável” que casamentos infantis continuem acontecendo e alguns chamaram a atenção para o problema da mutilação genital feminina. 

Eles destacaram ainda “melhorias notáveis” ​​no sistema de saúde e realçaram os esforços para lutar contra a impunidade. Também foi elogiada a criação de um sistema de assistência jurídica às vítimas de violações dos direitos humanos. 

Situação 

Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano, a Guiné-Bissau está na posição 178 entre 189 países e territórios examinados, no grupo de baixo desenvolvimento humano. 

No entanto, segundo o mesmo relatório, entre 1990 e 2018, a esperança de vida à nascença aumentou 10,9 anos. A média de tempo de escolaridade aumentou em um ano e a expectativa de escolaridade em 6,8 anos. 

De acordo com os últimos dados disponíveis, de 2014, 67,3% dos guineenses estavam em situação de pobreza multidimensional. Outros 19,2% dos cidadãos corriam o risco de ficar desprovidas de direitos mais básicos em várias dimensões da vida.  

Um menino carrega, visto de costas, três grandes recipientes de plástico com água em uma paisagem rural da Guiné-Bissau.
Jovem nas bolanhas de Bissau. Em 2014, 67,3% dos guineenses estavam em situação de pobreza multidimensional, ONU News/Alexandre Soares

Em seu relatório, o governo guineense afirma que “o reconhecimento dos muitos desafios enfrentados pelo país foi um passo importante e essencial para superá-los.” 

Processo 

A Revisão Periódica Universal é um processo único, que envolve o exame de todos os 193 países-membros das Nações Unidas. 

Desde a sua primeira reunião, em 2008, todos os Estados já foram analisados duas vezes. Guiné-Bissau foi avaliada em 2010 e 2015. 

Durante o processo, os países devem destacar as medidas tomadas para resolver os problemas indicados nos ciclos anteriores e explicar novos desenvolvimentos.