ONU envia suprimentos alimentares para o Líbano suficientes para três meses
BR

13 agosto 2020

Programa Mundial de Alimentos prepara entrega de 17,5 mil toneladas de farinha de trigo e  trigo; 1 milhão de pessoas vivem atualmente abaixo da linha da pobreza; Nações Unidas também coordenam resposta para proteger patrimônio cultural danificado.

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, está enviando para o Líbano 17,5 mil toneladas de farinha de trigo e um suprimento de trigo para três meses que deve ajudar a reabastecer as reservas do país.

A ajuda faz parte de uma rápida operação de logística, que também envolverá a instalação de armazéns e unidades móveis de armazenamento de grãos.

Emergência

O anúncio foi feito pelo diretor-executivo da agência, David Beasley, que esteve no país durante três dias. Segundo ele, “o PMA está correndo para fornecer ajuda aos mais vulneráveis e evitar a escassez de alimentos em todo o país.”

Beasley visitou os portos de Beirute e Trípoli, testemunhando a distribuição de alimentos e o fornecimento de alimentos em cozinhas comunitárias administradas pelo parceiro do PMA, a Caritas.

O chefe da agência também visitou funcionários no hospital e teve reuniões com o presidente libanês e altos funcionários do governo, onde destacou a autonomia operacional e a neutralidade da agência.

Em comunicado, Beasley disse que “é difícil compreender a escala da destruição causada pela explosão.” Dizendo que estava “com o coração partido”, ele contou que “por causa da explosão do porto, milhares de pessoas ficaram sem abrigo e com fome.”

Obstáculos 

O país importa quase 85% de suas necessidades alimentares. Antes da explosão, a maior parte desses bens entrava pelo porto de Beirute, que ficou agora danificado. 

Como resultado dos danos, o PMA trará equipamentos para permitir a importação de trigo e outros grãos. Beasley, afirmou que “depois de examinar o porto, tem certeza de que se pode estabelecer uma operação de emergência muito em breve.”

Segundo ele, “não há tempo a perder, porque a catástrofe que está se formando.”

Resposta

De acordo com o Banco Mundial, 1 milhão de pessoas vivem atualmente abaixo da linha da pobreza no Líbano.

O PMA adquiriu 150 mil cestas básicas para distribuir às famílias afetadas. Também distribuiu pacotes para duas cozinhas comunitárias. O programa de assistência em dinheiro também já chega a 100 mil libaneses.
Esta assistência de emergência requer um total de US$ 235 milhões.

Patrimônio 

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, está coordenando medidas de emergência e de longo prazo para salvaguardar o patrimônio cultural que ficou danificado e reabilitar sua vida cultural.

Danos no porto da cidade, o maior do Líbano, podem dificultar entrada de alimentos no país, by Ocha

As explosões também causaram graves danos a alguns dos bairros mais históricos da cidade, museus, galerias e locais religiosos;

Em resposta ao pedido de apoio da Direção-Geral de Antiguidades do Líbano, a Unesco liderará a mobilização internacional para este trabalho. 

Segundo dados do governo libanês, pelo menos 8 mil edifícios foram afetados. Entre eles, estão cerca de 640 históricos, com perto de 60 em risco de desabamento.

O governo também informou sobre o impacto da explosão em grandes museus, como o Museu Nacional de Beirute, o Museu Sursock e o Museu Arqueológico da Universidade Americana de Beirute, bem como espaços culturais, galerias e locais religiosos.

Refugiados

Também esta quinta-feira, a Agência de Assistência a Refugiados Palestinos, Unrwa, pediu que a comunidade internacional inclua os refugiados palestinos na sua resposta emergência imediata e nos planos de longo prazo.

Segundo a Unrwa, estas pessoas estão entre as comunidades mais vulneráveis do Líbano. Em comunicado, o diretor de assuntos da Unrwa no Líbano, Claudio Cordone, disse que “se deve ajudar os refugiados palestinos no Líbano a enfrentar mais uma tempestade que pode levá-los à beira do desespero.”

Existem mais de 200 mil refugiados palestinos no Líbano, a maioria vivendo abaixo da linha da pobreza. A situação foi agravada pela crise econômica e as medidas de combate à pandemia de Covid-19.

 

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