100 mil crianças tiveram casas destruídas ou danificadas na explosão em Beirute
BR

7 agosto 2020

Pelo menos 17 contêineres com material médico, incluindo centenas de equipamentos para a resposta da Covid-19, foram destruídos; mais de 120 escolas que atendem cerca de 55 mil crianças sofreram danos; estragos no porto podem dificultar entrada de alimentos no país que importa  quase 85% de comida.

Cerca de 100 mil crianças ficaram com suas casas destruídas ou danificadas na explosão em Beirute, no Líbano, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. 

Além disso, a explosão destruiu pelo menos 17 contêineres com material médico, incluindo centenas de milhar de equipamentos para a resposta da Covid-19. O Unicef e a Organização Mundial da Saúde, OMS, estão trabalhando para substituir esse equipamento.

Hospital da Unifil em Beirute, que está ajudando a tratar vítimas da explosão
Hospital da Unifil em Beirute, que está ajudando a tratar vítimas da explosão, Unifil Chinmedcoy/Huang Shifeng

Saúde

A unidade pediátrica do Hospital Karantina também foi totalmente danificada. Os estragos após o incidente afetaram 16 centros de saúde que atendem cerca de 160 mil pessoas.

Um armazém de vacinas apoiado pelo Unicef também foi destruído, mas todo o material  foi retirado com segurança para outras câmaras frias.

Em nível de educação, mais de 120 escolas públicas e privadas sofreram danos. Esses centros de ensino atendem cerca de 55 mil crianças.

Nesse momento, o ar está coberto de poeira e há preocupações de que isso possa ser tóxico, especialmente para crianças.

Também houve um aumento significativo de infecções por Covid-19 nos últimos dois dias. Na quinta-feira, houve um número recorde de infecções, 255.

Segundo o Unicef, “as necessidades são imediatas e enormes.” Para a primeira fase, a agência está fazendo um apelo de US$ 8,25 milhões.

Direitos Humanos

Também esta sexta-feira, o Escritório de Direitos Humanos da ONU afirmou que “somente uma resposta internacional rápida e um envolvimento sustentado impedirão que muitas outras vidas sejam perdidas.”

Grandes áreas de Beirute ficaram destruídas como resultado da explosão no porto da cidade.
Grandes áreas de Beirute ficaram destruídas como resultado da explosão no porto da cidade, Unifil

Falando a jornalistas, em Genebra, o porta-voz da alta comissária, Rupert Colville, disse que “com grandes áreas da cidade impróprias para morar, o porto do país praticamente destruído e o sistema de saúde danificado, a situação é terrível.”

O porta-voz afirmou que os pedidos das vítimas para encontrar os responsáveis pelo desastre devem ser ouvidos, através de uma investigação imparcial, independente, completa e transparente.

Segundo ele, “este trágico evento deve ser um ponto de virada para os líderes do país ultrapassarem impasses políticos e responderem às queixas da população.”

Refugiados

Já a Agência de Refugiados da ONU, Acnur, teme que existam refugiados entre as vítimas. Algumas das áreas afetadas incluem bairros com este grupo e a agência está tentando confirmar relatos de várias mortes. Os esforços nesse sentido estão focados em três áreas principais: abrigo, saúde e proteção. 

Centenas de milhares de pessoas tiveram suas casas completamente ou parcialmente danificadas. Para responder às necessidades de abrigo, o Acnur está fornecendo materiais de construção e outros itens essenciais, como cobertores e colchões. 

Os centros de recepção da agência em todo o país, inclusive em Beirute, estão abertos os casos mais críticos. 

Insegurança alimentar

Danos no porto da cidade, o maior do Líbano, podem dificultar entrada de alimentos no país
Danos no porto da cidade, o maior do Líbano, podem dificultar entrada de alimentos no país, Ocha

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, está preocupado com o agravar da situação de segurança alimentar, que já era precária devido à crise financeira e à pandemia de Covid-19.

O país importa quase 85% dos alimentos que consome. Os danos no porto de Beirute, o maior do país, podem limitar a entrada de materiais e aumentar ainda mais os preços alimentares.

O PMA está distribuindo 5 mil pacotes de alimentos para as famílias afetadas. Cada pacote é suficiente para o consumo de uma família de cinco pessoas por um mês com itens básicos. Atualmente, 1 milhão de pessoas no Líbano vivem abaixo da linha da pobreza.

Segundo o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, o Líbano estava enfrentando várias crises ao mesmo tempo. Mais de 50% da população estava vulnerável.

Agora, a agência diz que cerca de 500 camas hospitalares foram perdidas após a explosão. Os hospitais que receberam feridos estão sobrecarregados e precisam de suprimentos médicos urgentes.

A OMS está pedindo US$ 15 milhões para cobrir as necessidades imediatas e garantir a continuidade da resposta do Covid-19 em todo o país. 

 

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