Insegurança alimentar grave ameaça mais 10 milhões na América Latina e Caribe
BR

29 julho 2020

Programa Mundial de Alimentos alertou para a possibilidade de uma “pandemia de fome” gerada pela Covid-19; 44 milhões estão desempregados na região, que também enfrenta temporada de furacões mais forte do que o normal.

O impacto socioeconômico da Covid-19 pode levar mais 10 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe a uma situação de insegurança alimentar grave, informou esta quarta-feira o Programa Mundial de Alimentos, PMA. 

Em comunicado, a agência afirmou que a comunidade internacional “precisa agir de maneira rápida e decisiva, se quiser impedir uma pandemia de fome.” 

Migrantes da Venezuela serão os grandes afetados pela fome causada pela pandemia na América Latina e Caribe, OIM

Crescimento 

Segundo a agência, o número de pessoas com insegurança alimentar grave pode subir de 3,4 milhões, no ano passado, para cerca de 14 milhões até o final deste ano. 

O diretor-executivo do PMA, David Beasley, disse que “a Covid-19 tem sido arrasadora para a América Latina, onde já se viam os sinais de uma tempestade econômica.” 

Na semana passada, ele visitou Equador e Panamá, onde falou com líderes da região. Beasley contou que “famílias estão tendo dificuldades para comprar comida e medicamentos e o número de pessoas sem trabalho chegou a 44 milhões.” 

Para ele, a situação “é uma combinação mortal” e “é preciso atuar de imediato, mas sendo inteligente.” Ele disse que não se pode lidar com a insegurança alimentar e a pandemia de forma separada, mas em conjunto, para salvar vidas. 

Além da Covid-19, o PMA está alertando para a temporada de furacões, que se espera que seja mais ativa que o normal

Países 

Além da Covid-19, o PMA está alertando para a temporada de furacões, que se espera que seja mais ativa que o normal, trazendo novos riscos. 

A agência da ONU está mais preocupada com pessoas no Haiti e no Corredor Seco da América Central, que inclui El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Também destaca a situação de migrantes venezuelanos na Colômbia, Equador e Peru. 

O PMA atua com governos para fortalecer seus programas e se adaptar a choques, como desastres naturais e mudanças climáticas. Vários países já ativaram programas para responder à pandemia. 

Além disso, o PMA diz que “é vital que os programas nacionais de proteção social se adaptem e se expandam para proteger os mais vulneráveis, como migrantes e pessoas que atuam na economia informal.” 

Resposta 

Crianças fazem uma refeição na escola, que participa de um programa de alimentação escolar na América Latina e no Caribe, FAO/Ubirajara Machado

Usando seu centro de distribuição no Panamá, a agência enviou suprimentos para 25 países da região, incluindo kits com luvas, máscaras, aventais hospitalares. Também está servindo a comunidade humanitária com um helicóptero que transporta pessoal médico, suprimentos e equipamentos para áreas de difícil acesso. 

Nesse momento, está abrindo corredores humanitários na República Dominicana para apoiar Haiti, Honduras e servir a América Central, e na Colômbia para chegar à América do Sul. Nos próximos dias, serão criados estoques de alimentos para apoiar as operações por três meses.  

Todos os meses, cerca de 400 mil migrantes na Colômbia e no Equador já recebem transferências em dinheiro ou rações alimentares. No Haiti, onde o número de pessoas com insegurança alimentar pode subir de 700 mil para 1,6 milhão, distribuições de dinheiro e alimentos acontecem todas as semanas.  

Na República Dominicana, foram entregues alimentos a 130 mil pessoas vulneráveis. Já na Guatemala, o PMA comprará alimentos para serem distribuídos pelo Ministério da Agricultura e Ministério do Desenvolvimento Social.

 

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