Recuperação econômica na América Latina e Caribe será mais lenta do que em 2008   
BR

6 outubro 2020

De acordo com novo relatório, região vive sua pior crise econômica em um século; nível de PIB per capita deve recuar 10 anos, com um aumento acentuado da desigualdade e da pobreza.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, revelou que a região vive a pior crise econômica em um século, com uma contração estimada de 9,1% no Produto Interno Bruto, PIB.  

Um novo relatório destaca que até o final de 2020, o nível de PIB per capita será o mesmo de 2010. Se isso ocorrer, o retrocesso seria de 10 anos, com um aumento acentuado da desigualdade e da pobreza. 

Secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, Foto: ONU/Cepal

Crise 

A pesquisa foi apresentada esta terça-feira pela secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena. Ela disse que “o processo de retorno da atividade econômica aos níveis anteriores à crise será mais lento do que durante a crise do subprime, em 2007 e 2008.” 

Na região, cerca de 2,7 milhões de empresas devem fechar em 2020. O desemprego aumentou 18 milhões em relação a 2019, o maior aumento desde a crise financeira, e afeta agora 44 milhões de pessoas. 

Além disso, a pobreza deve regressar aos níveis de 2005, afetando 231 milhões de pessoas. A pobreza extrema deverá atingir os níveis de 1990, com retrocesso de 30 anos e afetando 96 milhões de pessoas. 

Para a chefe da Cepal, “políticas macroeconômicas serão necessárias para retomar o crescimento e promover uma agenda de transformação estrutural.” 

Ela disse que a receita pública deve ser fortalecida, as políticas monetárias expansionistas devem ser mantidas e a regulação deve ser reforçada, juntamente com a regulação dos fluxos de capitais. Além disso, a cooperação internacional é fundamental para ampliar o espaço da política macroeconômica. 

A pobreza extrema deverá atingir os níveis de 1990, com retrocesso de 30 anos e afetando 96 milhões de pessoas

Políticas 

No que diz respeito à política fiscal, a pesquisa destaca diversos esforços fiscais para mitigar os efeitos da pandemia, totalizando 4,1% do PIB em média. Esses esforços, juntamente com a redução da receita pública, contribuíram para um déficit fiscal maior e para o aumento da dívida pública. 

O documento indica que o desafio é manter uma política fiscal ativa em um contexto de maior endividamento. 

Para isso, a América Latina e o Caribe devem aumentar sua arrecadação tributária, que atualmente é de 23,1% do PIB em média. Em comparação, entre os entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Ocde, esse valor é de 34,3%. 

Uma das formas de conseguir esse objetivo é combatendo a evasão fiscal, que equivale a 6,1% do PIB regional. Outras medidas são ampliar impostos sobre riqueza e propriedade ou criar um regime de tributação sobre a economia digital e impostos corretivos, como taxas ambientais e outras relacionadas à saúde pública. 

Investimento 

A desaceleracao econômica na América Latina e Caribe e a pandemia prejudicaram os trabalhadores informais, Agência Brasil/Marcelo Camargo

Segundo Alicia Bárcena, “os países devem orientar a reativação do gasto público e a transformação econômica, fortalecendo o investimento público em setores que promovam o emprego, a paridade de gênero, a inclusão social, a transformação produtiva e uma transição para a sustentabilidade ambiental.” 

Para expandir o espaço político, a Cepal propõe uma melhor distribuição da liquidez global apoiando uma maior cooperação internacional.  

Para conseguir isso, as instituições multilaterais de crédito devem ser capitalizadas, a cooperação entre os bancos centrais deve ser institucionalizada e a rede de segurança financeira global e regional deve ser expandida. 

O relatório também enfatiza a importância do alívio da dívida para países com vulnerabilidades. Atualmente, os países de renda média respondem por 96% da dívida de todos as economias em desenvolvimento, excluindo China e Índia. 

Segundo a chefe da Cepal, “o alívio da dívida sobre o pagamento de juros aumentaria a disponibilidade de recursos para o desenvolvimento.”  

 

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