Dois anos de crise na Nicarágua forçaram 100 mil pessoas a fugirem do país
BR

10 março 2020

Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, relata perseguição e abusos de diretos humanos como motivos de asilo; onda de violência começou em 2018; jornalistas, defensores de direitos humanos, estudantes e agricultores estão entre as 4 mil pessoas que continuam deixando o país todos os meses.

A crise política e social da Nicarágua está forçando cerca de 4 mil pessoas por mês a fugirem do país.

O alerta foi feito nesta terça-feira pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur.

Costa Rica abriga 77 mil pessoas ou dois terços dos refugiados e requerentes de asilo nicaraguenses. Foto: © Acnur/Roberto Carlos Sanchez

Jornalistas e estudantes

Desde o começo das manifestações contra o governo do presidente Daniel Ortega, em abril de 2018, mais de 100 mil pessoas já pediram asilo político, na maioria dos casos por perseguição ou abusos dos direitos humanos.

Estudantes, defensores de direitos humanos, jornalistas e agricultores são alguns dos nicaraguenses que tiveram que deixar o país por causa da violência.

Para o Acnur, o número de pessoas que fogem deve aumentar. A maioria tem buscado o país vizinho, Costa Rica, que abriga 77 mil pessoas ou dois terços dos refugiados e requerentes de asilo nicaraguenses.

Um pouco mais de 8 mil fugiram para o Panamá e outros 9 mil cidadãos da Nicarágua pediram asilo na Europa. O México abriu suas portas para 3,6 mil pessoas. Outros 5,1 mil foram abrigados em outras nações.

Extrema pobreza

No total, 103,6 mil nicaraguenses estão refugiados ou em busca de asilo desde o início da crise.

Desde outubro passado, a Costa Rica tem processado pedidos de asilo, com o apoio do Acnur, para permitir o acesso dos nicaraguenses ao sistema de saúde pública. A assistência está sendo feita a 6 mil requerentes em situações mais carentes.

Dentre eles estão pessoas com deficiência, que precisam de cirurgias ou sobreviventes de tortura e aqueles nicaraguenses vivendo em extrema pobreza.

 

 

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