América Latina e Caribe: período de 2014-2020 será o de menor crescimento em 70 anos
BR

13 dezembro 2019

Novo relatório diz que os motivos são redução da demanda interna, baixa procura externa e fragilidade dos mercados financeiros internacionais; para Brasil, projeção de crescimento é de 1% este ano e de 1,7% em 2020.

A economia da América Latina e do Caribe está desacelerando e deve crescer apenas 0,1% este ano. Já em 2020, deve se recuperar ligeiramente e crescer 1,3%.

Um novo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, aponta como motivos a redução da demanda interna, a baixa procura externa e a fragilidade dos mercados financeiros internacionais.

Causas

No total, os seis anos entre 2014 e 2020 devem representar o período de menor crescimento para a região das últimas sete décadas. Segundo as projeções da Cepal, o PIB da região caiu 4% entre 2014 e 2019.

Para o Brasil, a projeção é de crescimento de 1% este ano e de 1,7% em 2020.

A pesquisa da Cepal também destaca outras realidades econômicas na região, como maiores pressões sociais pedindo uma redução da desigualdade e maior inclusão social.

Na apresentação do relatório, a secretária executiva da agência da ONU, Alicia Bárcena, afirmou que “as condições atuais exigem que a política fiscal foque na ativação do crescimento e na resposta às exigências sociais.”

Essa nova política fiscal precisa de uma estratégia de médio e longo prazo para ser sustentável. Devem ser levados em conta fatores como crescimento, produtividade, capacidade de arrecadação de receitas e combate à evasão fiscal, que atualmente representa cerca de 6,3% do PIB da região.

Tendências

O país com maior crescimento esse ano será a Dominica, com 9%, seguida por Antígua e Barbuda, com 6,2%, República Dominicana, com 4,8%, e Guiana, com 4,5%. Por outro lado, a Venezuela deve ter a maior redução, com a economia caindo 25,5%, seguida pela Nicarágua, 5,3%, Argentina, 3%, e Haiti, 0,7%.

O desemprego na região passou de 8% em 2018 para 8,2% em 2019, o que representa mais um milhão de pessoas sem emprego, chegando a um novo máximo de 25,2 milhões. A qualidade do trabalho também diminuiu, com mais pessoas empregadas por conta própria do que recebendo salário.

Soluções

Apesar das dificuldades, a Cepal diz que a região pode inverter a situação, usando a inflação, que está em níveis mínimos históricos, reservas internacionais elevadas e bom acesso a mercados financeiros internacionais, onde as taxas de juro estão baixas.

Segundo a pesquisa, “estas condições favorecem a capacidade de implementar políticas macroeconômicas que revertem o cenário de baixo crescimento.”

O relatório também afirma que é preciso responder às exigências sociais da população, usando medidas de redistribuição da riqueza que melhorem a qualidade dos bens e serviços públicos.

Diogo Moreira/Governo de Sao Paulo
A cidade de São Paulo, no Brasil, junto com a Cidade do México, ocupam o quarto lugar na lista de cidades com maior número de habitantes no mundo.
Economia brasileira deve crescer 1% em 2019, by Diogo Moreira/Governo de Sao Paulo

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Índice de Desenvolvimento Humano: Noruega continua liderando, Brasil cai uma posição e Portugal mantém

Guiné-Bissau e Angola também caíram no ranking; Moçambique e Timor-Leste mantiveram posições; Cabo Verde e São Time e Príncipe subiram; relatório foi publicado esta segunda-feira na Colômbia.

Cepal prevê aumento da pobreza na América Latina e Caribe em 2019

Segundo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, entre 2014 e 2018, índice de pobreza nos países da região subiu 2,3%; crescimento é explicado pelo aumento registrado no Brasil e na Venezuela.