OMS reúne mais de 400 cientistas em fórum que busca resposta ao coronavírus BR

Funcionários verificam a temperatura dos clientes na entrada de shopping center em Yangon, em Mianmar.
Foto: Man Yi
Funcionários verificam a temperatura dos clientes na entrada de shopping center em Yangon, em Mianmar.

OMS reúne mais de 400 cientistas em fórum que busca resposta ao coronavírus

Saúde

Organização Mundial da Saúde também anunciou que nova cepa de coronavírus passará a ser chamada de Covid-19; chefe da agência da ONU diz que vírus é  “inimigo comum”; casos confirmados na China chegam a 42.708, com mais de mil mortes; primeira vacina poderia ficar pronta em 18 meses.

A nova cepa do coronavírus passa a ser chamada a partir desta terça-feira de Covid-19. O anúncio foi feito pela Organização Mundial da Saúde, OMS, em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e a Organização Mundial de Saúde Animal.

Passageiros usam máscaras no metrô em Shenzhen, China.
Passageiros usam máscaras no metrô em Shenzhen, China. Foto: ONU News/Jing Zhang

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, explicou que foi necessário encontrar um nome que não se referisse a uma localização geográfica, a um animal, indivíduo ou grupo de pessoas.

Padrão

“Covi" se refere ao coronavirus, o "d" à doença e o número 19 representa 2019, o ano em que o vírus foi identificado pela primeira vez na cidade chinesa de Wuhan. O anúncio ocorreu em Genebra, durante o Fórum sobre a doença, que reúne mais de 400 cientistas.

Falando a jornalistas, Tedros destacou que “a nomenclatura é importante para impedir o uso de outros nomes imprecisos” ou gerar estigmatização. Ele acrescentou que o nome também “fornece um formato padrão para uso em futuros surtos de coronavírus.”

Até a manhã desta terça-feira em Genebra, haviam sido confirmados 42.708 casos da doença na China, com 1017 mortes. A maioria dos casos e a maioria das mortes ocorreram na província de Hubei, onde fica a cidade de Wuhan.

Fora da China, foram registradas 393 incidências do vírus em 24 países, e uma morte.

Experiência

Por dois dias, a partir desta terça-feira, mais de 400 cientistas de todo o mundo, pessoalmente e virtualmente, participam do Fórum Global de Pesquisa e Inovação. O evento busca mobilizar ações internacionais em resposta ao Covid-19.

O Chefe da OMS destacou que esta “não é uma reunião sobre política ou dinheiro, mas sim sobre ciência.” Ele explicou que é necessário um conhecimento coletivo, discernimento e experiência para responder às perguntas para as quais ainda não existem respostas e conter assim o surto do coronavírus. Segundo ele, a primeira vacina poderia ficar pronta em 18 meses.

Fórum Global de Pesquisa e Inovação em resposta ao novo coronavírus

Resposta

Tedros lembrou que “é exatamente para isso que a OMS serve: reunir o mundo para coordenar a resposta.” Para ele, “essa é a essência do multilateralismo, que é muito importante para o mundo.”

O diretor-geral da agência afirmou que “publicações, patentes e lucros não são prioridades agora” e o que “importa mesmo é conter o surto e salvar vidas.”

Na semana passada, a OMS contatou a rede de representantes dos países da agência, assim como os coordenadores residentes das Nações Unidas nos países, para informá-los sobre o surto e sobre as medidas que podem ser tomadas.

Guterres

Tedros enfatizou que também informou ao secretário-geral, António Guterres, e que todo o poder do sistema da ONU será usado para combater o surto. Nesta terça-feira, a OMS iniciou as atividades de uma equipe de gerenciamento de crises da ONU, que será liderada pelo diretor do Programa de Emergências da OMS, Mike Ryan.

O chefe da agência acredita que isso ajudará a “OMS a se concentrar na resposta à saúde, enquanto as outras agências podem trazer seus conhecimentos para as implicações sociais, econômicas e de desenvolvimento mais amplas do surto.”

Especialista da OMS explica como evitar o coronavírus

Inimigo

Tedros voltou a frisar a “janela de oportunidade” para atuar na responsa à doença. E disse que se investimentos forem feitos “agora em intervenções racionais e baseadas em evidências” será possível ter “uma chance realista de interromper esse surto.”

O diretor-geral destacou que essa “oportunidade foi criada por causa das medidas sérias que a China tomou em Wuhan e em outras cidades”, mas que ele não acha “que esse status possa permanecer o mesmo por muito tempo.”

Para Tedros, se o mundo não agir agora, será possível ter “muito mais casos e custos muito mais altos”. Para ele, “este é um inimigo comum”.

A OMS indica que o desenvolvimento de vacinas e tratamentos é uma parte importante da agenda de pesquisa, mas que essa é apenas uma parte. Segundo Tedros, “a primeira vacina pode estar pronta em 18 meses”, e por isso é importante “fazer tudo hoje usando as armas disponíveis para combater esse vírus”, enquanto todos preparam medidas de longo prazo.

COBERTURA ESPECIAL: CORONAVÍRUS