Enviado alerta para “aumento arrasador de ataques terroristas” na África Ocidental e Sahel
BR

8 janeiro 2020

Mohamed Ibn Chambas falou ao Conselho de Segurança; representante disse que cidadãos da Guiné-Bissau “merecem os parabéns pela conduta exemplar na eleição presidencial do último ano”.

O enviado especial do secretário-geral à África Ocidental, Mohamed Ibn Chambas, disse ao Conselho de Seguranca que a região da África Ocidental e Sahel teve “um aumento arrasador de ataques terroristas a alvos civis e militares” desde julho.

Chambas afirmou que “a violência terrorista sem precedentes” dos últimos meses “abalou a confiança pública”. Segundo ele, “as consequências humanitárias são alarmantes.”

Chambas falou ao Conselho de Segurança em Nova Iorque, ONU/Rick Bajornas

Ataques

Em Burkina Fasso, Mali e Níger, o número de vítimas fatais subiu cinco vezes desde 2016, passando de 770 nesse ano para mais de 4 mil em 2019. Já o número de deslocados, cresceu 10 vezes, para cerca de 500 mil pessoas, com outras 25 mil procurando refúgio noutros países.

O enviado especial disse que terrorismo, crime organizado e violência estão normalmente relacionados, sobretudo em áreas com fraca presença do Estado. Nesses locais, “os extremistas oferecem segurança e serviços às populações, em troca de lealdade.”

Segundo Chambas, governos, organizações regionais e a comunidade internacional estão começando a responder a esta ameaça. Ele destacou o Plano de Ação para Erradicar o Terrorismo 2020-2024 da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Cedao, que deve investir US$ 1 bilhão nesses esforços.

Violência

O representante disse ainda que confrontos entre pastores e fazendeiros continuam entre os mais violentos da região. Com 70% da população dependente da agricultura e pastoreio para sobreviver. Para ele, a mudança climática e os outros fatores estão piorando a situação.

Chambas destacou alguns pontos positivos, como o diálogo em vários países. Na Gâmbia, terminou a segunda ronda de consultas públicas sobre a nova Constituição. Na Serra Leoa, na Mauritânia, e no Senegal decorrem processos sobre unidade nacional.

Eleições

Nos próximos meses, os eleitores de seis países irão escolher os seus representantes, incluindo Burkina Fasso, Côte d’Ivoire ou Costa do Marfim, Gana, Guiné Equatorial e Níger.

Chambas afirmou que “queixas não resolvidas, processos de reconciliação nacional incompletos e sentimentos de manipulação de instituições e processos podem causar tensões e manifestações de violência política.”

Sobre esse tema, ele elogiou os cidadãos da Guiné-Bissau, dizendo que “merecem parabéns pela conduta exemplar na eleição presidencial do último ano, que marca um passo importante no desenvolvimento democrático” do país.

Por fim, o enviado afirmou que “as Nações Unidas continuarão apoiando o governo e o povo da Guiné-Bissau nos seus esforços para consolidar a paz e o desenvolvimento.”

Alexandre Soares
Uma eleitora deposita seu voto em eleições para a Assembleia Nacional.
Em 2019, Guiné-Bissau teve eleições legislativas e presidenciais, Alexandre Soares

 

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