ONU pede recursos urgentes para ajudar 2,3 milhões de pessoas atingidas pela seca em Angola
BR

10 dezembro 2019

Coordenador residente das Nações Unidas e representantes de sete agências visitaram áreas afetadas; temperaturas em 2019 foram as mais altas em 45 anos; ajuda já chegou a mais de 640 mil angolanos com alimentos e serviços de saúde, nutrição e higiene.

Cerca de 2,3 ​​milhões de pessoas em Angola precisam de assistência humanitária devido à seca. Na província de Cunene, pelo menos 80% da população, 860 mil angolanos, necessitam de apoio urgente.

Durante uma missão na região, o coordenador residente da ONU para Angola, Paolo Balladelli, pediu à comunidade internacional que aumente o apoio às pessoas que vivem na linha de frente da crise climática.

Aumento

Balladelli disse que os números de necessitados são "três vezes mais do que no começo do ano" e que o sul do país “está enfrentando as consequências arrasadoras das mudanças climáticas.”

As temperaturas em 2019 foram as mais altas em 45 anos. A seca está aumentando a fome e a desnutrição, especialmente nas províncias de Cunene, Huíla, Bié e Namibe.

O coordenador residente está visitando a região com a chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, na África Austral e Oriental, Gemma Connell.

Objetivos

O objetivo da missão é conhecer melhor a situação no terreno e a resposta das Nações Unidas, incluindo projetos financiados pelo Fundo Central de Emergência da ONU, Cerf.

Graças ao financiamento do fundo, foi possível ajudar mais de 640 mil pessoas com alimentos e serviços de saúde, nutrição, água e higiene nas quatro províncias mais atingidas.

O coordenador disse que o projeto “complementa os esforços do governo para responder a esta situação terrível e salvar vidas”, mas que “é preciso fazer mais e com urgência.”

As necessidades estão crescendo e famílias já foram forçadas a tomar medidas desesperadas para sobreviver, com meninas e mulheres sofrendo o maior impacto da crise.

Visita

Em Caculuvale, os representantes da ONU encontraram famílias que lutam pela sua sobrevivência e crianças com desnutrição aguda grave. Em visitas a centros de saúde, os médicos disseram que estão registrando as maiores taxas de admissão em muitos anos.

Gemma Connell contou que “nas áreas rurais, as mulheres têm que caminhar longas distâncias para levar comida e água para casa, expondo-as ao risco de violência.” Por outro lado, “um número crescente de crianças está abandonando a escola, as meninas para ajudar as mães e os meninos para procurar pastagens com os pais.”

Resiliência

A delegação se reuniu com funcionários do governo, incluindo os vice-governadores das províncias de Cunene e Huíla, e elogiou a implementação de medidas sustentáveis ​​para mitigar os efeitos de eventos climáticos.

O coordenador residente disse que a prioridade a curto prazo são recursos para salvar vidas nas populações afetadas pela seca, mas que é “essencial investir na construção da resiliência das comunidades para o futuro.”

Também participam na missão representantes de seis agências da ONU, como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, o Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, o Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, o Programa Mundial de Alimentos, PMA, e a Organização Mundial da Saúde, OMS.

 

 

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