Seca agrava insegurança alimentar em Angola 
BR

26 março 2021

Programa Mundial de Alimentos, PMA, diz que este é o pior episódio de seca em quatro décadas; falta de chuvas causou perdas de até 40% nas colheitas; crise já causou deslocamentos internos e algumas pessoas cruzaram fronteira para Namíbia.  

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, alertou que a fome está aumentando em Angola. Nas províncias do sudoeste, o país vive seu pior episódio de seca em quatro décadas. 

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz do PMA, Tomson Phiri, disse que a situação está prejudicando toda a estação das chuvas, que normalmente vai de novembro a abril. 

Seca 

O país vive episódios de seca desde dezembro do ano passado com precipitações abaixo da média nas províncias de Cuanza Sul, Benguela, Huambo, Namibe e Huíla. Não se espera que a situação melhore nos próximos meses, com chuvas acima da média. 

© Unicef Angola/2019/Carlos César
Seca em Angola deixou famílias desesperadas e crianças sem tempo para educação.

À medida que o abastecimento de água diminui, as colheitas são gravemente afetadas, com perdas de até 40%, e aumenta o risco para o sustento dos rebanhos. 

O PMA está extremamente preocupado, dada a insegurança alimentar crônica e as taxas de desnutrição nas áreas mais afetadas. 

A situação também gera movimentos migratórios nas áreas mais afetadas, com famílias se mudando para outras províncias e cruzando a fronteira com a Namíbia. 

Apoio 

A agência da ONU está coordenando as avaliações de segurança alimentar e nutricional no sul do país.  

A análise de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC, está prevista para o final de maio. 

O PMA também tem apoiado o governo nas áreas de alimentação escolar, avaliação da vulnerabilidade e continuará a monitorar de perto a situação e fornecer assistência técnica com base nas lacunas de resposta. 

Relatório 

Angola foi um dos países destacados em um relatório do PMA e da Organização da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, publicado esta semana.   

A pesquisa prevê um aumento do preço dos alimentos e informa que os valores cobrados pela farinha de mandioca e de milho, os principais alimentos básicos do país, já subiram 30% e 25% no ano passado, respectivamente.

As agências estimam que 1 milhão de pessoas sofrerão de insegurança alimentar em 2021, cerca de 17% acima da média de cinco anos.   

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

ONU pede US$ 5,5 bilhões para combater fome que deve aumentar em 20 países 

Novo relatório diz que conflitos e pandemia de Covid-19 são as principais causas da crise; Angola e Moçambique são os únicos países de língua portuguesa que integram lista de nações mais afetadas; Iêmen, Sudão do Sul e norte da Nigéria são as áreas mais graves.