Cepal prevê aumento da pobreza na América Latina e Caribe em 2019
BR

29 novembro 2019

Segundo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, entre 2014 e 2018, índice de pobreza nos países da região subiu 2,3%; crescimento é explicado pelo aumento registrado no Brasil e na Venezuela.

Confirmando tendência registrada desde 2015, 30,1% da população da América Latina e Caribe estavam abaixo da linha da pobreza em 2018, enquanto 10,7% viviam em extrema pobreza. Em 2019, essas taxas devem chegar a 30,8% e 11,5%, respectivamente.

A pobreza na região afeta principalmente crianças e adolescentes, mulheres, povos indígenas e afrodescendentes, moradores de zonas rurais e desempregados. Foto/ FAO ALC

A projeção foi feita em relatório divulgado nesta quinta-feira, dia 28 de novembro, pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal.

Estudo

Segundo o Panorama Social da América Latina 2019, isso significa que aproximadamente 185 milhões de pessoas estavam abaixo da linha da pobreza na região em 2018. Destas, 66 milhões viviam na extrema pobreza.

Este ano, o número de pessoas na pobreza deve aumentar para 191 milhões, dos quais 72 milhões na extrema pobreza.

Brasil e Venezuela

O relatório destaca que o aumento de 2,3% da pobreza entre 2014 e 2018 na média regional é explicado basicamente pelo aumento registrado no Brasil e na Venezuela.

Nos demais países, a tendência dominante nesse período foi de queda. Isso ocorreu principalmente devido a um aumento da renda do trabalho nos domicílios com menores recursos, mas, também, às transferências públicas dos sistemas de proteção social e privada.

Pobreza

A pobreza na região afeta principalmente crianças e adolescentes, mulheres, povos indígenas e afrodescendentes, moradores de zonas rurais e desempregados.

A secretária-executiva da agência, Alicia Bárcena, lembrou que “por quase uma década, a Cepal posicionou a igualdade como base do desenvolvimento.” Ela acrescentou que atualmente existe “novamente a urgência de avançar na construção de um Estado que ofereça proteção social, baseada em direitos e na igualdade.”

Desigualdade

De acordo com a Cepal, a diminuição da desigualdade de renda é fundamental para retomar o caminho da redução da pobreza e cumprir as metas estabelecidas no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 1 da Agenda 2030.

O relatório enfatiza que “a superação da pobreza na região não exige apenas o crescimento econômico” e que isso deve ser “acompanhado por políticas redistributivas e políticas fiscais ativas.”

O documento destacou o crescimento da classe média, embora esta continue experimentando diversas carências e vulnerabilidades, tanto em relação à sua renda quanto no exercício de seus direitos. Segundo a Cepal, 76,8% da população da América Latina pertence a renda baixa ou média-baixa.

As pessoas que pertencem à classe alta passaram de 2,2% para 3% do total.

O relatório mostra que uma alta proporção da população de renda média experimenta importantes déficits de inclusão social e trabalho. Também tem um alto grau de vulnerabilidade ao retorno à pobreza diante das mudanças provocadas pelo desemprego ou queda de sua renda ou outros eventos catastróficos, como doenças graves e desastres.

Segundo o Panorama Social da América Latina 2019, aproximadamente 185 milhões de pessoas estavam abaixo da linha da pobreza na região em 2018. Foto: Unic Bogota/Dagoberto Muñoz

Renda

A desigualdade na distribuição de renda, expressa no índice de Gini com base nas pesquisas em domicílio, continuou sua tendência de queda, mas em um ritmo menor do que nos últimos anos. Em média, o índice caiu de 0,538 em 2002 para 0,465 em 2018 em 15 países da região.

O Panorama Social da América Latina 2019 indicou que o gasto social do governo central aumentou de 10,3% para 11,3% do Produto Interno Bruto, PIB, entre 2011 e 2018, alcançando 52,5% do gasto público total.

A América do Sul tem a média do gasto público social mais alto da região, com 13,2% em 2018.  Já na América Central, México e República Dominicana esse número é de 9,1%.

Migração

O relatório recomendou que as causas estruturais da migração e o fortalecimento da cooperação multilateral sejam atendidas para garantir a proteção e inclusão social e o trabalho dos migrantes em todas as etapas do ciclo migratório.

Entre 2010 e 2019, o número de migrantes na região aumentou de 30 milhões para 40,5 milhões, o equivalente a 15% do total de migrantes em todo o mundo. Entre 2000 e 2019, a proporção de migrantes intrarregionais aumentou de 57% para 70% do total.

Inclusão

Para a Cepal, são necessárias políticas de inclusão social e trabalho para erradicar a pobreza e reduzir a desigualdade e a vulnerabilidade dos estratos de baixa e média renda.

Também é necessário um mercado de trabalho que garanta emprego de qualidade e salários decentes, eliminando barreiras na inserção das mulheres e fortalecendo o desenvolvimento de sistemas de proteção social integrais e universais.

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Mais da metade da população global não tem acesso a saneamento seguro

Esta terça-feira marca o Dia Mundial do Toalete; cerca de 673 milhões de pessoas ainda praticam defecação a céu aberto; Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 6 prevê resolver o problema até 2030.

Trabalho infantil representa 22% da cadeia de abastecimento na América Latina e Caribe

Novo relatório afirma que trabalho de menores de idade e tráfico de seres humanos continuam sendo problemas em sistemas produtivos de todo o mundo; problema é maior no leste e sudeste da Ásia.