Cepal: América Latina e Caribe tiveram mais de 3,5 mil feminicídios em 2018
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26 novembro 2019

Brasil registrou 1.206 assassinatos por razão de gênero; El Salvador, Honduras e Bolívia são os países com maiores taxas proporcionais desse tipo de crime; para chefe da Cepal, números provam “padrões patriarcais, discriminatórios e violentos”.

A América Latina e o Caribe estão perdendo uma média de 10 mulheres por dia para crimes de feminicídio.

Segundo as Nações Unidas, a maioria dos atos de violência física ou sexual são cometidos por um parceiro. Foto: ONU Mulheres/Dzilam Mendez

A constatação é de um estudo do Observatório de Igualdade de Gênero da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, Cepal.

Taxas

O levantamento, divulgado nesta segunda-feira pela Cepal, revela que 3.529 mulheres foram assassinadas no ano passado por razões de gênero.

O Brasil registrou 1.206 casos de feminicídio.  Seguiram-se o México, com 898 mortes, e Argentina, com 255.

Em algumas ilhas do Caribe, como Dominica, por exemplo, nenhuma mulher morreu desta forma.  

Em taxas proporcionais, baseadas no tamanho da população, El Salvador, Honduras a Bolívia foram os países com o maior número de crimes desta natureza.

Em El Salvador morrem 6.8 mulheres para cada 100 mil habitantes. Em Honduras, 5.1. Na Bolívia: 2.3, um pouco a mais que Guatemala com 2.0 e República Dominicana com 1.9.

O Brasil aparece no meio da tabela. Com 1.1 feminicídio para cada 100 mil habitantes. O país menos violento é o Peru com 0.8.

No Caribe, as taxas mais altas encontram-se em Guiana e Santa Lúcia, onde mais de quatro mulheres em 100 mil morrem somente pelo fato de serem mulheres.

Estes dados começaram a ser compilados pela Cepal em 2009, quando apenas quatro países tinham legislação específica sobre este crime. Seis anos depois, em 2015, a organização diz que a maioria dos países já tinha reformado os seus códigos penais para tipificar o feminicídio.

Direitos

Em nota, a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, disse que estes números “mostram a profundidade de padrões culturais patriarcais, discriminatórios e violentos.”

Segundo ela, “milhões de mulheres saíram às ruas para reivindicar e exigir algo tão fundamental, mas tão violado, como o direito de viverem livres de violência.”

Registro

Nesse momento, a Cepal está promovendo a construção de um Sistema de Registro de Feminicídio. O recurso deverá melhorar a qualidade da informação recolhida, ajudar a compreender o fenómeno e fazer comparações entre países.

Segundo a Cepal, este levantamento “é essencial para desenvolver, implementar e monitorar políticas que protejam vítimas de violência de gênero, previnam feminicídio e julguem os culpados.”

Spotlight

Esta segunda-feira, 25 de novembro, marca o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e o começo dos 16 dias de ativismo sobre o mesmo tema, que terminam em 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos.

Segundo as Nações Unidas, a maioria dos atos de violência física ou sexual são cometidos por um parceiro. Metade das mulheres mortas em todo o mundo foram assassinadas pessoas bem próximas ou familiares. Em comparação, apenas um em cada 20 homens foi morto nas mesmas circunstâncias.

As Nações Unidas, em parceria com a União Europeia, lançaram em 2017 a Iniciativa Spotlight com o objetivo de eliminar a violência contra mulheres e meninas até 2030.

 

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