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Cepal: América Latina e Caribe tiveram mais de 3,5 mil feminicídios em 2018 BR

Uma instalação artística com símbolos de Vênus em um campo gramado na Cidade do México para conscientizar sobre o feminicídio no Dia Internacional da Mulher.
ONU Mulheres/Dzilam Mendez Segundo as Nações Unidas, a maioria dos atos de violência física ou sexual são cometidos por um parceiro.

Cepal: América Latina e Caribe tiveram mais de 3,5 mil feminicídios em 2018

Mulheres

Brasil registrou 1.206 assassinatos por razão de gênero; El Salvador, Honduras e Bolívia são os países com maiores taxas proporcionais desse tipo de crime; para chefe da Cepal, números provam “padrões patriarcais, discriminatórios e violentos”.

A América Latina e o Caribe estão perdendo uma média de 10 mulheres por dia para crimes de feminicídio.

Uma instalação artística com símbolos de Vênus em um campo gramado na Cidade do México para conscientizar sobre o feminicídio no Dia Internacional da Mulher.
Segundo as Nações Unidas, a maioria dos atos de violência física ou sexual são cometidos por um parceiro. Foto: ONU Mulheres/Dzilam Mendez

A constatação é de um estudo do Observatório de Igualdade de Gênero da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, Cepal.

Taxas

O levantamento, divulgado nesta segunda-feira pela Cepal, revela que 3.529 mulheres foram assassinadas no ano passado por razões de gênero.

O Brasil registrou 1.206 casos de feminicídio.  Seguiram-se o México, com 898 mortes, e Argentina, com 255.

Em algumas ilhas do Caribe, como Dominica, por exemplo, nenhuma mulher morreu desta forma.  

Em taxas proporcionais, baseadas no tamanho da população, El Salvador, Honduras a Bolívia foram os países com o maior número de crimes desta natureza.

Em El Salvador morrem 6.8 mulheres para cada 100 mil habitantes. Em Honduras, 5.1. Na Bolívia: 2.3, um pouco a mais que Guatemala com 2.0 e República Dominicana com 1.9.

O Brasil aparece no meio da tabela. Com 1.1 feminicídio para cada 100 mil habitantes. O país menos violento é o Peru com 0.8.

No Caribe, as taxas mais altas encontram-se em Guiana e Santa Lúcia, onde mais de quatro mulheres em 100 mil morrem somente pelo fato de serem mulheres.

Não há desculpa para a violência sexual.
Não há dúvidas quando se trata de consentimento.
A definição é clara: Não é Não.#DiaInternacionalParaAEliminaçãodaViolênciaContraMulheres pic.twitter.com/W3uhu9yZI5

— Nações Unidas (@NacoesUnidas) November 25, 2019

Estes dados começaram a ser compilados pela Cepal em 2009, quando apenas quatro países tinham legislação específica sobre este crime. Seis anos depois, em 2015, a organização diz que a maioria dos países já tinha reformado os seus códigos penais para tipificar o feminicídio.

Direitos

Em nota, a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, disse que estes números “mostram a profundidade de padrões culturais patriarcais, discriminatórios e violentos.”

Segundo ela, “milhões de mulheres saíram às ruas para reivindicar e exigir algo tão fundamental, mas tão violado, como o direito de viverem livres de violência.”

Registro

Nesse momento, a Cepal está promovendo a construção de um Sistema de Registro de Feminicídio. O recurso deverá melhorar a qualidade da informação recolhida, ajudar a compreender o fenómeno e fazer comparações entre países.

Segundo a Cepal, este levantamento “é essencial para desenvolver, implementar e monitorar políticas que protejam vítimas de violência de gênero, previnam feminicídio e julguem os culpados.”

Spotlight

Esta segunda-feira, 25 de novembro, marca o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e o começo dos 16 dias de ativismo sobre o mesmo tema, que terminam em 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos.

Segundo as Nações Unidas, a maioria dos atos de violência física ou sexual são cometidos por um parceiro. Metade das mulheres mortas em todo o mundo foram assassinadas pessoas bem próximas ou familiares. Em comparação, apenas um em cada 20 homens foi morto nas mesmas circunstâncias.

As Nações Unidas, em parceria com a União Europeia, lançaram em 2017 a Iniciativa Spotlight com o objetivo de eliminar a violência contra mulheres e meninas até 2030.