Começam os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres
BR

25 novembro 2019

Segunda-feira, 25 de novembro, marca o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres; secretário-geral da ONU diz que este tipo de agressão está “entre as violações de direitos humanos mais horríveis.”

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, a violência contra as mulheres estão “entre as violações de direitos humanos mais horríveis, persistentes e generalizadas do mundo.”

Em todo o mundo, uma em cada três mulheres e meninas é vítima de algum tipo de agressão. Esta segunda-feira, 25 de novembro, marca o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.  

Vítima de estupro no Sudão do Sul conta sua história em um local não revelado perto da cidade de Bentiu, (Dezembro de 2018), by Unmiss/Isaac Billy

Abusos

Em mensagem sobre a data, o secretário-geral afirmou que “as Nações Unidas têm o compromisso de acabar com todas as formas de violência contra mulheres e meninas.”

Destacando estatísticas sobre a frequência destes abusos, Guterres disse que as vítimas podem ser “um membro da família, uma colega de trabalho, uma amiga” ou até mesmo a pessoa que recebe a mensagem.

O chefe da ONU afirma que “a violência sexual contra mulheres e meninas está enraizada em séculos de dominação masculina.” Para ele, “as desigualdades de gênero que alimentam a cultura do estupro são essencialmente uma questão de desequilíbrios de poder.”

Impunidade

António Guterres destaca várias questões que perpetuam a impunidade, como estigma, concepções erradas, falta de notificação e má aplicação das leis. Além disso, “o estupro ainda é usado como uma terrível arma de guerra.”

Para o secretário-geral, tudo isso deve mudar, agora. Ele faz um apelo “aos governos, ao setor privado, à sociedade civil e às pessoas de todos os lugares a tomar uma posição firme contra a violência sexual e a misoginia.”

O chefe da ONU pede também maior solidariedade com os sobreviventes, ativistas e defensores dos direitos das mulheres. Segundo ele, o mundo pode, e deve, “acabar com os estupros e as agressões sexuais de todos os tipos.”

Celebração

Esta segunda-feira, o secretário-geral lança uma campanha de dois anos contra o estupro.

O tema da campanha é “Orange the World: Generation Equality Stands Against Rape”, “Torne o Mundo Laranja: Geração da Igualdade se Levanta Contra o Estupro”, numa tradução livre para português.

Vários eventos públicos irão marcar o dia em todo o mundo. Edifícios e monumentos icônicos de vários países serão iluminados com a cor "laranja" para chamar a atenção para o tema.

Também na segunda-feira, como em anos anteriores, começam os 16 dias de ativismo, que terminam a 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Para marcar a data, a ONU Mulheres está contando uma série de histórias sobre o tema, desde uma jovem que nasceu resultado de um estupro, a um grupo de homens que estão combatendo o casamento infantil em Gaza.

Violência

Segundo as Nações Unidas, a maioria dos atos de violência física ou sexual são cometidos por um parceiro. Metade das mulheres mortas em todo o mundo foram assassinadas por parceiros ou familiares. Em comparação, apenas um em cada 20 homens foram mortos nas mesmas circunstâncias.

Apenas 52% das mulheres casadas têm liberdade para tomar decisões sobre relações sexuais, uso de contraceptivos e assistência médica.

Em todo o mundo, quase 750 milhões de mulheres e meninas casadas contraíram matrimonio antes de completar 18 anos. Ao mesmo tempo, 200 milhões foram submetidas a mutilação genital feminina, MGF.

Cerca de 71% de todas as vítimas de tráfico de seres humanos são mulheres e meninas, e três em cada quatro são exploradas sexualmente.

16 formas de combater a cultura do estupro:

  • 1 – Criar cultura de consentimento;
  • 2 – Denunciar causas profundas;
  • 3 – Redefinir masculinidade;
  • 4 – Deixar de culpar vítimas;
  • 5 – Mostrar tolerância zero;
  • 6 – Aprofundar o que significa cultura de estupro;
  • 7 – Adotar abordagem interseccional;
  • 8 – Conhecer a história da cultura de estupro;
  • 9 – Investir nas mulheres;
  • 10 – Ouvir sobreviventes;
  • 11 – Não rir sobre violação;
  • 12 – Se envolver;
  •  13 – Pôr fim à impunidade;
  •  14 – Ser testemunha ativa;
  • 15 – Educar próxima geração;
  • 16 – Iniciar conversa e juntar-se a ela;                                    

Este tipo violência é responsável pelo mesmo número de morte e incapacidade de mulheres do que o cancro. Além disso, existem mais mulheres com problemas de saúde causados por este problema do que acidentes de trânsito e malária juntos.

 

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