FAO: Indígenas restabelecem equilíbrio entre vida silvestre e segurança alimentar
BR

7 novembro 2019

Meta é alcançar níveis sustentáveis ​​de caça e pesca; programa coopera com 13 países; na Guiana, iniciativa inclui comunidades alcançadas e já mostra progressos.

Milhões de povos indígenas e rurais dependem da carne de animais selvagens para sua alimentação e renda, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais da América do Sul, da África e da Ásia. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, a demanda por este tipo de alimentos também está crescendo em vilarejos e cidades onde é consumida como luxo ou por tradição.

A conservação é importante para a biodiversidade e a segurança alimentar na região de Rupununi, na Guiana. Foto: ©FAO/David Mansell-Moullin

A caça para a alimentação é reconhecida como um importante fator de perda de biodiversidade. A agência da ONU cita estudos recentes, que estimam que 285 espécies de mamíferos ameaçadas de extinção devido à caça.

Insegurança Alimentar

A FAO alerta que se a caça e a pesca silvestres não forem contidas em níveis sustentáveis, as populações desses animais diminuirão e as comunidades rurais sofrerão níveis crescentes de insegurança alimentar.

A tribo indígena Wapishana, que fica na região de Rupununi na Guiana, país que faz fronteira com o estado brasileiro de Roraima, já começou a sentir os efeitos deste processo. Asaph, um caçador tradicional da tribo, conta que antes “havia muita vida selvagem” na região no tempo do seu pai e avós.

Agora, ele diz que "ainda existem alguns animais nas montanhas Kanuku, mas são mais difíceis de encontrar."

Ameaça

Carne e peixe silvestres são fontes importantes de proteínas e nutrientes para Asaph e a família.

Segundo ele, no passado, os níveis de caça eram sustentáveis. Havia um equilíbrio entre o número de animais caçados para alimentação e as taxas de reprodução natural da vida selvagem. Mas ele diz que agora esse equilíbrio está ameaçado devido a incêndios não controlados, expansão das populações das aldeias, construção de novas estradas e caça comercial.

Para ajudar a impulsionar as populações de animais selvagens, Asaph agora é vice-presidente de seu grupo de conservação local e guarda florestal.

Programa

A FAO afirma que é preciso encontrar soluções urgentes. Uma delas é o consórcio de parceiros internacionais, liderado pela agência, lançado em 2017. O Programa de Manejo Sustentável da Vida Selvagem, SWM atua com 13 países, incluindo a Guiana, para fazer com que a caça de espécies mais resilientes retorne a níveis sustentáveis.

Outra meta é reduzir a demanda urbana pela carne silvestre e desenvolver fontes alternativas de alimentos acessíveis e apetitosos para as comunidades rurais. A FAO destaca que em muitos desses países, também é necessário revisar e melhorar as leis de caça e os sistemas de posse da terra, que tendem a ser ambíguos e mal aplicados.

Asaph, como muitos indígenas da região de Rupununi, na Guiana, depende de animais selvagens e peixes para alimentação. Foto: ©FAO/David Mansell-Moullin

Comunidades

Na Guiana, o Programa SWM está trabalhando em estreita colaboração com Asaph, outros caçadores indígenas. O objetivo é aproveitar os projetos liderados pela comunidade para manter populações saudáveis ​​de peixes e mamíferos.

Asaph diz que com o apoio do programa, as comunidades estão “tentando conservar a área para que a vida selvagem volte.” Ele acredita que isso permitirá que todos continuem caçando e alimentando seus filhos.

O principal trabalho, segundo Asaph, é informar os jovens sobre sobre a importância da conservação "para que eles saibam o que é bom para o meio ambiente e a comunidade".

Progressos

Depois de apenas um ano, o programa na região de Rupununi revisou um plano regional de gestão da pesca, concluiu parte de um censo em andamento sobre a vida selvagem usando armadilhas fotográficas, preparou um plano de trabalho de ecoturismo e apoiou atividades da agência regional de turismo e avaliou o potencial para o desenvolvimento da pecuária. A esperança é que esses exemplos sejam replicados em outros lugares da Guiana e no exterior.

Agora, a esperança de Asaph é "ver os cervos voltando e povoando a região novamente, como fizeram há muitos anos." Ele enfatiza que a “conservação é a chave" para o problema que enfrentam.

O Programa SWM é uma iniciativa da África, do Caribe e do Pacífico, financiada pela União Europeia. A iniciativa trabalhando para restabelecer o equilíbrio entre segurança alimentar e conservação.

A FAO revela que isso é necessário para criar um mundo #FomeZero sustentável.

Neste vídeo produzido pela FAO, o caçador Asaph fala sobre o trabalho do Programa SWM na tribo indígena Wapishana.

 

 

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