Relatores da ONU “ultrajados” com assassinato de indígenas na Colômbia
BR

1 novembro 2019

Em comunicado conjunto, especialistas independentes em direitos humanos condenaram o “massacre cometido contra integrantes do povo Nasa, em Cauca”; eles pediram aos governos que tomem “medidas urgentes” em cooperação com autoridades indígenas.

O assassinato de cinco indígenas na Colômbia por grupos armados ilegais foi condenado por relatores* independentes de direitos humanos da ONU.

Na terça-feira, quatro guardas indígenas desarmados e a autoridade local, a governadora Cristina Bautista Taquinas, foram mortos num ataque no vilarejo de La Luz, na reserva de Tacuyeó, em Cauca, no sudoeste da Colômbia. Todos pertenciam ao povo Nasa.

Duas mulheres indígenas Wayuu, em La Guajira, na Colômbia, preparam uma refeição. Foto: UNIC Bogotá/Dagoberto Muñoz

Providência

Em comunicado, a relatora especial sobre os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, e a relatora sobre execuções sumárias e arbitrárias, Agnes Callamard, juntaram-se ao relator sobre a situação dos defensores de direitos humanos, Michel Forst, para condenar os crimes, com veemência.

O grupo expressou solidariedade às famílias dos mortos e feridos, ao povo Nasa e às autoridades da Guarda Indígena, que abriga quatro das vítimas fatais.

Os especialistas acreditam que o crime não é um ato isolado, e que as comunidades indígenas de Cauca estão tendo que lidar com sofrimento e violência inaceitáveis.

Eles disseram que a situação tem piorado e pediram uma providência. Para os relatores, o governo tem que tomar ações urgentes com base nos acordos de paz para acabar com os ataques.

Governo

Somente este ano, 56 pessoas foram assassinadas na região, de acordo com a Associação dos Conselhos Indígenas do Norte de Cauca, seis a mais que no mesmo período do ano passado.

Para os especialistas, as autoridades da Colômbia e a Procuradoria-Geral do país devem fazer todo o possível para responsabilizar os autores dos crimes.

No comunicado, os relatores da ONU dizem que o presidente e o governo colombianos também devem fazer tudo para evitar o que chamaram de uma “situação insustentável de violações dos direitos humanos fundamentais sofridas pelo povo Nasa

UNIC Bogotá/Dagoberto Muñoz
Mulher indígena da Colômbia em La Guajira com sua bicicleta

 

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas. Eles não representam a opinião da organização e não recebem salário pelo trabalho realizado

 

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