ONU homenageia Freitas do Amaral destacando “marca forte” do multilateralismo
BR

16 outubro 2019

Assembleia Geral das Nações Unidas homenageou antigo presidente do órgão, Diogo Freitas do Amaral; em entrevista à ONU News, embaixador de Portugal ressaltou carreira do político falecido no início do mês.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, homenageou esta quarta-feira o político português Diogo Freitas do Amaral destacando que foi “um jurista renomado, um acadêmico brilhante e um político hábil.”

O chefe das Nações Unidas discursou durante uma cerimônia de homenagem na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Freitas do Amaral, que morreu a 3 de outubro, foi presidente do órgão entre 1995 e 1996, durante a 50ª sessão.

Secretário-geral da ONU, António Guterres, na Assembleia Geral, ONU/Cia Pak

Serviço

Para o chefe das Nações Unidas, o político português era “acima de tudo, um funcionário público da mais alta ordem, dedicado ao serviço da democracia.”

Guterres disse que Freitas do Amaral “deixou uma marca forte como defensor de uma abordagem multilateral para solucionar conflitos, do direito internacional, de reformas para fortalecer as Nações Unidas e como promotor da expansão das vozes e da representação dentro da organização.”

António Guterres lembrou que era o primeiro-ministro de Portugal quando foi realizada a 50ª sessão da Assembleia Geral e que pôde testemunhar como a liderança de Freitas do Amaral “aprimorou a imagem” do país.

Para ele, no entanto, isso não foi uma surpresa, porque os valores e o espírito que ele trouxe até a organização “estavam muito enraizados nas suas contribuições fundamentais para a vida democrática portuguesa e para a integração do país na Europa.”

Guterres disse ainda que “Portugal é a sociedade democrática vibrante que é hoje por causa de líderes como o professor Freitas do Amaral.”

Mensagem

O secretário-geral terminou lembrando o discurso do português na abertura da 50ª sessão da Assembleia Geral, dizendo que é hoje tão atual como era há 25 anos.

Nessa altura, Freitas do Amaral dirigiu-se aos chefes de Estado e de Governo presentes com um apelo: “por favor, digam ao mundo que liberdade, justiça, desenvolvimento e solidariedade são valores magníficos pelos quais vale a pena viver e trabalhar.”

Na preparação da celebração dos 75 anos da ONU, Guterres pediu que essa mensagem “continue servindo de guia” para a comunidade internacional.

Exemplo

Em entrevista à ONU News, o embaixador de Portugal junto às Nações Unidas, Francisco Duarte Lopes, falou sobre o exemplo que Diogo Freitas do Amaral pode representar para as futuras gerações.

“É um papel de exemplo. Do exemplo que o professor Freitas do Amaral trouxe. Foi a primeira vez que um presidente da Assembleia Geral esteve durante todo o ano em Nova Iorque. Portanto, transmitindo esse exemplo de importância dos trabalhos da Assembleia geral e, portanto, de importância que cada um dos estados-membros que estão representados pela Assembleia Geral tem nesta organização internacional.”

Carreira

O ex-ministro e académico morreu aos 78 anos, por doença, e foi sepultado dois dias depois em Cascais.

Freitas do Amaral, enquanto presidente da Assembleia Geral, preside às comemorações do Dia Mundial do HIV/Aids, by Foto ONU/Milton Grant

Político e professor de direito, ocupou vários cargos proeminentes no governo de Portugal, incluindo os de vice-primeiro-ministro e de ministro de Negócios Estrangeiros.

A vida de Freitas do Amaral foi marcada pelo envolvimento na política ativa portuguesa entre 1974 a 1986. Uma das maiores apostas nesse período foi a candidatura presidencial nas eleições de 1986, nas quais ficou em segundo lugar a seguir ao então presidente Mário Soares.

Freitas do Amaral nasceu em 21 de julho de 1941 na Póvoa do Varzim, uma cidade no norte de Portugal.

De 1981 a 1983, foi vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa de Portugal. Entre dezembro de 1980 a janeiro de 1981, foi primeiro-ministro interino. Atuou ainda como vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros de 1980 a 1981.

Entre 1982 e 1983, presidiu à bancada democrata-cristã do Partido Popular Europeu. Em 1988, Freitas do Amaral foi novamente eleito presidente do partido por três anos.

Estudos

Freitas do Amaral integrou ainda a Assembleia Nacional, em representação do distrito eleitoral de Lisboa entre 1975 e 1983, e novamente de 1992 a 1993. Entre maio de 1974 e março de 1975, foi membro do Conselho de Estado.

Freitas do Amaral obteve um doutoramento em direito público, incluindo direito internacional em 1967. No biénio 1962-1963, foi presidente da Assembleia Geral da Associação de Estudantes da faculdade de direito.

Como professor de direito na Universidade de Lisboa desde 1970, esteve cinco mandatos à frente do Comitê Científico da faculdade. Ele publicou vários livros e artigos sobre direito público, ciência política e história do pensamento político.

 

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