África terá a maioria dos falantes do português ainda neste século, diz ministro
BR

30 setembro 2019

Titular da pasta dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, afirmou que a partir de 2050, o crescimento demográfico de Angola e Moçambique puxará o pêndulo do português para o continente africano; atualmente mais de 80% dos locutores do idioma estão no Brasil.

Mais de oito em cada 10 pessoas que falam português são brasileiros. Com cerca de 210 milhões de habitantes, o Brasil tornou-se a maior das oito nações que têm o idioma como língua oficial em todo o globo.

De acordo com o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Iilp, existem cerca de 7 milhões de cidadãos lusófonos que vivem fora de seus países de origem. Mas estes números tendem a mudar ainda neste século, segundo previsões demográficas e estudos do Instituto Camões sobre o crescimento do português.

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva. Foto: Captura vídeo ONU News

Plasticidade

Nesta entrevista à ONU News, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse que está otimista com a expansão da língua no mundo.

“Quando olho para os números e para os mapas, o que eu vejo é isto: há, neste momento, mais de 250 milhões de falantes do português como língua materna ou língua segunda. Quatro quintos dos quais são brasileiros. E quando olho para o futuro, ao longo deste século, o que vai acontecer? O número de falantes vai chegar a 500 milhões e a maioria vai passar a ser africanos. Está a ver a plasticidade desta língua? Começou por ser europeia, a língua de Camões. Depois passou a ser brasileira. A língua portuguesa hoje é, sobretudo, uma língua brasileira. É a língua do Chico Buarque ou da Clarice Lispector. E ao longo deste século vai passar a ser uma língua africana. Uma língua de angolanos, moçambicanos, a língua de Mia Couto, a língua do Luandino Vieira ou do Pepetela. É uma língua extremamente dinâmica."

Aliás, a Unesco diz que é uma das três línguas do mundo que mais vai crescer e que mais está a crescer. Isto dá-nos uma enorme responsabilidade.”

O ministro de Portugal afirmou ainda que o Brasil deve lançar um instituto para ensino do idioma, nos mesmos moldes do Instituto Camões.

“Felizmente, o Brasil acaba de anunciar que vai lançar o seu Instituto Camões, que chamam bem de Instituto Guimarães Rosa. Foi ao mesmo tempo um grande poeta e um grande diplomata brasileiro. Isto vai dar mais, digamos assim, mais artilharia, no sentido bom do termo, à promoção internacional da língua portuguesa. Mas deixe-me dizer-lhe isso com três exemplos simples para não me demorar. Primeiro, o sucesso que foi este ano, o início de aulas de português na Escola de Línguas das Nações Unidas com patrocínio luso-brasileiro. Segundo, o facto de este mês de outubro ser anunciada a primeira escola bilíngue em Londres em português e inglês. Terceiro, a informação que recebi hoje, mal acordei.  Nós tínhamos feito, ano passado, um protocolo com a Universidade de Sevilha, em Espanha, houve agora as inscrições, havia 30 e passaram a 130.”

Diogo Moreira/Governo de Sao Paulo
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Diásporas Lusófonas

Falado em cinco países africanos, no Brasil, Portugal e Timor-Leste, o português tem ainda milhões de falantes em países como Estados Unidos, França e África do Sul, que concentram grandes diásporas lusófonas.

Segundo o Instituto Camões e o Instituto Português no Oriente, Ipor, o interesse pelo aprendizado do idioma na China, principalmente através da Região Administrativa Especial de Macau, tem aumentado.

O interesse do país asiático pela língua portuguesa está ligado ainda às relações comerciais da China com o Fórum Macau, uma plataforma de cooperação econômica com os países de língua portuguesa, que foi fundada em 2003.

 

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