Número de mulheres observadoras e funcionárias subiu o dobro em missões de paz

9 setembro 2019

Encontro do Conselho de Segurança debateu progressos da Ação para a Manutenção de Paz, que foi lançada há ano e meio; subsecretário-geral para as Operações de Paz disse que muitos desafios ainda não foram resolvidos.

O número de mulheres que trabalha como observadoras e funcionárias em missões de manutenção de paz da ONU duplicou entre 2017 e 2019, passando de 7,6% para 14,5%.

A informação foi confirmada esta segunda-feira pelo subsecretário-geral para as Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, em encontro do Conselho de Segurança.

Mulheres

Jean Pierre Lacroix no Conselho de Segurança, by Foto ONU/Loey Felipe

Apesar desse aumento, Lacroix afirmou que a percentagem de mulheres que fazem parte dos contingentes militares apenas aumentou de 3,6% em 2017 para 4,4% em julho de 2019.

O representante disse que “aumentar o número de mulheres é essencial para melhorar o desempenho” destas operações. Segundo ele, “manutenção de paz com mais mulheres é simplesmente uma manutenção da paz mais eficaz.”

Para melhorar a relação com as comunidades locais, a ONU destacou 45 pelotões de engajamento com metade de seus membros mulheres. Estes novos pelotões foram destacados para as Missões no Sudão do Sul, Unmiss, República Centro-Africana, Minusca, Líbano, Unifil, e República Democrática do Congo, Monusco.

Lacroix disse que “estas unidades são extremamente eficazes na construção de confiança nas comunidades vulneráveis, evitando tensões e ajudando a reduzir a violência.”

Para o representante, “o aumento do número de mulheres em manutenção de paz é encorajador, mas muito lento.” Ele pediu aos Estados-membros que contribuem com soldados e forças policiais que redobrem seus esforços.

Avanços

No encontro, o subsecretário-geral fez um balanço da estratégia Ação para a Manutenção de Paz, que foi lançada pelo secretário-geral, António Guterres, há um ano e meio.

O chefe das operações de paz da ONU disse que algum progresso foi feito, mas muitos dos desafios identificados em março de 2018 permanecem por resolver.

Lacroix afirmou que “os países e as populações que a organização serve, e os soldados da paz que arriscam as suas vidas, merecem” que a comunidade internacional “faça o seu melhor”.

Segundo o subsecretario-geral, “as operações de manutenção de paz estão mudando para melhor.” Ele declarou que “estas missões estão hoje melhor preparadas, mais robustas e mais reativas.”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, homenageou soldados de paz que morreram na cidade de Mavivi, no leste da República Democrática do Congo, ONU/Martine Perret

Apesar disso, Lacroix afirmou que “a viagem apenas agora começou” e a ONU não pode fazer esse caminho sozinha.

Exemplos

Lacroix deu depois vários exemplos dos progressos conseguidos.

Na República Centro Africana, a missão da ONU, Minusca, facilitou a assinatura do acordo de paz em fevereiro de 2019. Segundo o representante, “desde esta assinatura os níveis de violência desceram de forma marcada comparados com 2018.”

Segundo Lacroix, o apoio da missão na República Democrática do Congo, Monusco, está “garantindo o espaço político necessário para a primeira transição de poder pacífica no país”, que deve acontecer em janeiro de 2019.

No Sudão do Sul, a Unmiss facilitou 131 atividades de reaproximação, diálogo e conferência para a paz. Lacroix afirmou que estas iniciativas “serviram para aumentar a confiança e reduzir a violência política, enquanto o cessar fogo continua ativo.”

Abuso sexual e mortes

O chefe das Operações de Paz destacou ainda uma descida nas alegações de abuso sexual e violência.

Até final de junho as autoridades responsáveis, tinham apenas recebido 24 queixas. Em 2018 foram recebidas 55 e, no anterior, 63. Apesar desse progresso, o representante disse que “é preciso continuar sendo vigilante.”

Por fim, Lacroix destacou uma descida no número de mortes entre soldados da paz e forças policiais causadas por atos violentos. O número passou de 58 em 2017 para 27 em 2018. Em 2019, foram apenas registradas 21 mortes.

Segundo o representante, “a implementação do Plano de Ação para melhorar a Segurança dos Soldados da Paz contribuiu para uma descida sustentada no número de fatalidades causadas por atos violentos”. Apesar disso, ele afirmou que “as ameaças continuam altas e mais precisa ser feito.”

 

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