No epicentro do surto, Guterres faz contato direto com a ação humanitária contra o ebola

1 setembro 2019

Secretário-geral esteve com sobreviventes da doença em Mangina, na RD Congo; problema de liquidez de fundos para a resposta é "extremamente grave"; em Beni, chefe da ONU assegurou que soldados de paz continuarão atuando ao lado das forças congolesas. 

O secretário-geral das Nações Unidas esteve este domingo em contato direto com a ação humanitária e sobreviventes do ebola na área de Mangina, onde há 13 meses começou o atual surto na República Democrática do Congo, RD Congo.

Ao chegar na região, António Guterres passou pela medição da temperatura como parte das ações adotadas devido à doença.

Fundos

De acordo com o chefe da ONU, até o momento foram garantidos apenas 15% dos fundos previstos para combater o ebola até o final do ano, o que “significa que há um problema de liquidez na resposta que é extremamente grave”.

Guterres disse que os soldados de paz continuarão atuando ao lado das Forças Armadas da RD Congo e da Polícia Nacional Congolesa em prol da paz e segurança., by ONU/Martine Perret

Para Guterres, se for perdida uma semana na resposta ao surto, não será apenas uma semana mas pode ser perdida a guerra contra a doença.

Antes, o representante visitou a cidade de Beni e lembrou que além de se lidar com o ebola também se enfrentam problemas de saúde como sarampo, malária e cólera na área assolada por “grande insegurança”.

O chefe da ONU destacou ainda “a coragem dos habitantes” do território e homenageou 27 soldados de paz que morreram servindo os congoleses num monumento criado na região.

Apoio  

Falando a jornalistas, o representante reafirmou o apoio total da Missão da ONU na República Democrática do Congo, Monusco, em ações de combate aos grupos armados.

O representante disse que os soldados de paz continuarão atuando ao lado das Forças Armadas da RD Congo e da Polícia Nacional Congolesa em prol da paz e segurança na região.

Para o representante, a Monusco tem um papel muito importante a desempenhar na RD Congo. Ele apontou que um dia, naturalmente, a maior operação do mundo “poderá fechar as portas, como aconteceu na Libéria, na Costa do Marfim e em outros países que resolveram os seus problemas”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, homenageou soldados de paz que morreram na cidade de Mavivi, no leste da República Democrática do Congo., by ONU/Martine Perret

Mas Guterres apontou que “é preciso fazer uma revisão estratégica em andamento para melhorar o que se vem fazendo, para tornar essa operação de paz mais útil ao povo congolês em todas as áreas secundárias, mas também no campo político”.

Grupos Armados

O representante afirmou que “ao ser melhorada a ação da Monusco, conta depois com o Conselho de Segurança para alargar um mandato com os ajustes considerados necessários” para a operação de paz.

Guterres prestou solidariedade às pessoas mais próximas das vítimas da violência, condenou esses crimes e pediu aos grupos armados “que parem imediatamente com ataques aos civis e às forças de segurança que protegem aos congoleses”.

O chefe da ONU destacou ainda que forças de paz da Monusco também pagaram um preço alto ao serviço da paz. Para o secretário-geral, essas perdas apenas reforçam a determinação da ONU que fará tudo para ajudar a acabar com o flagelo da insegurança naquela região africana.

ONU/Martine Perret
Helicóptero transportando a comitiva do secretário-geral da ONU, António Guterres, chega ao centro de tratamento de ebola em Mangina, no leste da República Democrática do Congo.

 

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