Milhares de refugiados da República Democrática do Congo deixam Angola

23 agosto 2019

Cerca de 8,5 mil refugiados deixaram o assentamento de Lóvua na província da Lunda Norte; Agência da ONU para Refugiados e governos nacionais estão acompanhando o movimento e prestando assistência. 

Cerca de 8,5 mil refugiados deixaram, de forma espontânea, o assentamento de Lóvua na província da Lunda Norte, em Angola, desde 18 de agosto, com a intenção de regressar à República Democrática do Congo, RD Congo.

A informação foi confirmada esta sexta-feira pelo porta-voz da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, Andrej Mahecic, em Genebra.

Segurança

Coordenador residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli.
Coordenador residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli, ONU News

Em entrevista à ONU News, o coordenador residente das Nações Unidas em Angola, Paolo Balladelli, disse que este movimento causa algumas preocupações, mas que  “a vontade dos refugiados tem de ser respeitada e tem de se perceber qual a melhor forma que os dois países e a ONU têm para assegurar que essa movimentação seja feita sem problemas e vítimas.” 

“Esta movimentação inesperada e muito rápida é difícil de gerir do ponto de vista logístico, alimentar e também em termos de dar toda a segurança, para que as populações cheguem na RDC. Foi uma decisão dos refugiados, que as Nações unidas respeitam, que o governo de Angola respeita, mas que antecipa uma apropriada organização, liderada pelo Acnur, de uma movimentação que aconteça sem problemas para a população interessada.”

Números

Mais de mil refugiados já regressaram ao seu país e muitos outros estão se dirigindo para a fronteira com a região de Kasai.

Segundo o porta-voz, esta parece ser uma resposta a relatos sobre uma melhoria da segurança em alguns dos locais de origem e a vontade de regressar a tempo do início do ano letivo.

A província do Kasai está se recuperando de confrontos que aconteceram entre grupos armados e forças nacionais em 2017.  Esta violência provocou o deslocamento de cerca de 1,4 milhão de pessoas e cerca de 37 mil refugiados atravessaram para Angola.

Segundo a agência, os retornos espontâneos desta semana também podem estar relacionados com as eleições presidenciais e acompanham discussões recentes em que os refugiados foram informados sobre melhorias na situação de segurança.

Abrigo

Refugiados da RD Congo em Lunda Norte, em Angola.
Refugiados da RD Congo em Lunda Norte, em Angola, Foto: Paolo Balladelli/ONU Angola.

Até agora, o assentamento de refugiados de Lóvua abrigava mais de 20 mil refugiados. O governo angolano forneceu transporte para algumas das pessoas em movimento, mas outros deixaram o local por conta própria. Muitos refugiados estão acampando ao lado das principais estradas no nordeste de Angola, incluindo mulheres e crianças.

O Acnur está trabalhando com parceiros e os governos dos dois países para responder às necessidades humanitárias. Funcionários estão ao longo das rotas de retorno para monitorar, colher informações e prestar ajuda. Representantes da agência também orientam os refugiados.

Apoio

Dentro da República Democrática do Congo, o Acnur está trabalhando com as autoridades para implantar sistemas de monitoramento nos pontos de entrada da fronteira para avaliar a natureza desses retornos e obter informações sobre o tipo de assistência necessária.

A agência também está em diálogo com os dois países para criar um mecanismo de retornos voluntários, dignos e sustentáveis. O porta-voz diz que o Acnur “entende a ânsia dos refugiados de voltar para casa”, mas “apela a ambos os governos para que evitem situações em que milhares de refugiados possam estar em risco por falta de planejamento, transporte e assistência adequados.”

Embora a segurança tenha melhorado na região do Kasai nos últimos meses, a insegurança no país continua a forçar o deslocamento de milhares de pessoas nas províncias de Kivu do Sul, Kivu do Norte e Ituri.

 

 

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