Nações Unidas atuam para abrigar 5 mil congoleses que deixam o norte de Angola
BR

10 outubro 2019

Grupo de refugiados deixa voluntariamente o norte do país de língua portuguesa, onde esteve alojado após violência de grupos armados em Kassai; apoio inclui fundos, comida e outras condições para integração em zonas de origem na RD Congo.

Cerca da metade dos refugiados da República Democrática do Congo, RD Congo, que vivem atualmente no norte de Angola devem retornar ao seu país em duas semanas após confrontos de grupos armados que criaram insegurança em Kassai.

Segundo o coordenador residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli, a organização vai continuar a ajudar as autoridades dos dois países para transferir e criar condições de vida para os refugiados nas áreas de origem.

Mulheres e crianças congoleses na fronteira entre Angola e RD Congo. Foto: Acnur/Pumla Rulashe

Assentamento

“Gostaria de explicar que sobre os 28 mil refugiados que estavam no campo de Lóvua, na província de Lunda Norte de Angola, aproximadamente 14 mil já saíram para a República Democrática do Congo. Dos atuais 10 mil que ainda ficam na área de assentamento, aproximadamente 5 mil devem sair nas próximas duas semanas. A cada dia, duas vezes por semana, sairão aproximadamente entre 400 e 500 refugiados se as condições de tempo permitirem.”

O representante explicou à ONU News, de Luanda, que esse apoio também vem sendo preparado nas áreas que a partir desta semana passaram a receber de volta os cidadãos congoleses que desde 2017 foram deixando o seu país.

A nova medida faz parte de um acordo sobre repatriamento voluntário que foi assinado em agosto entre os governos de Angola, da RD Congo e a Agência da ONU para Refugiados, Acnur.

Logística

“Assim, no total, eram 24 mil refugiados. Cinco mil iriam ficar no assentamento em Lóvua e não está planificado que venham a sair. Gostaria de explicar que de outro lado da fronteira, o HRC e as Nações Unidas no geral estarão se preparando para receber estes 5 mil refugiados adicionais. Uma parte será com apoio em comida e a outra com apoio logístico para regressar às zonas de origem.”

Após deixar o território angolano, os repatriados recebem transporte e assistência em dinheiro do Acnur para apoiar a reintegração no país de origem.

A agência da ONU revelou que outros cerca de 12 mil refugiados, incluindo 7 mil crianças, deixaram espontaneamente o campo de assentamento de Lóvua desde meados de agosto com viaturas providenciadas pelas autoridades de Luanda.

O Acnur criou um centro de trânsito de emergência na cidade fronteiriça congolesa de Kalamba Mbuji, para entregar fundos aos retornados para enfrentar as condições de vida extremamente desafiadoras.

Foto: Acnur/ Omotola Akindipe
Congoleses no acampamento em Lóvua, Angola.

Kassai Central

A agência também atua com as autoridades congolesas e ONGs parceiras em Kananga, a capital da província de Kassai Central.

De acordo com a agência, mesmo com a acalmia nos combates entre os grupos armados, alguns refugiados ainda estão incerteza sobre as condições em suas casas. Uma parte deles temem o retorno da violência comunitária e fixa-se em outros locais.

Nas áreas afetadas pelos combates foi danificada a infraestrutura, incluindo escolas e centros de saúde que ainda precisam ser restaurados. As atuais instalações não têm capacidade para atender a todos.

Proteção

A agência ajuda a refazer as áreas de serviços básicos e a promover a coesão social e a reintegração, além de acompanhar ações de proteção em Kananga e arredores.

Para essas atividades, o Acnur destaca ter recebido 57% dos US$ 150 milhões que precisa para ajudar os afetados pela crise da RD Congo.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Seca no sul de Angola afeta 2,3 milhões de pessoas e tira crianças da escola

Mais de 341 mil crianças devem receber ajuda alimentar; alguns menores de idade caminham 90 minutos em cada direção para buscar água; numa das províncias mais atingidas, Cunene, a crise afetou a educação de mais de 70% dos alunos.

Presidente de Angola diz que país “está aberto ao mundo”

João Lourenço discursou durante o debate de alto-nível da 74ª sessão da Assembleia Geral; chefe de Estado angolano destacou apoio e disse que o país enfrenta os desafios “com seriedade e transparência”.