Programa de rádio com crianças refugiadas é "caso de sucesso” em Angola

5 abril 2019

Unicef ajudou a criar duas emissoras em assentamento de refugiados da República Democrática do Congo; iniciativa envolve cerca de 150 refugiados e passa mensagem sobre água, condições sanitárias, nutrição, saúde e educação para a paz.

Gobe Emma, de 11 anos, e Funda Mako, de 12, são os apresentadores de um programa semanal na Rádio Solidariedade, em Lunda Norte, Angola.

As duas crianças são refugiadas da República Democrática do Congo e vivem no assentamento do Lóvua com as suas famílias desde 2017, quando fugiram dos conflitos armados na região do Kassai.

Talento

Refugiados da RD Congo em Lunda Norte, em Angola.
Refugiados da RD Congo em Lunda Norte, em Angola. , by Foto: Paolo Balladelli/ONU Angola.

As duas crianças fazem parte de um grupo de 150 refugiados que mantém viva a Rádio Solidariedade, um projeto do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, financiado pelo Governo do Japão. Metade dos participantes são crianças.

O Unicef diz que quando Gobe e Funda “começam a falar, todas as atenções voltam-se para eles.” Segundo a agência, “com o seu talento natural, estes dois apresentadores de rádio infantis ajudam a difundir informações valiosas para os refugiados” que vivem no assentamento.

Comunicação

A Rádio Solidariedade é um dos projetos do sistema da ONU em resposta à crise de refugiados no norte de Angola. Em 2017, a província da Lunda Norte acolheu mais de 35 mil refugiados, sendo 75% mulheres e crianças.

Segundo o Unicef, o fluxo repentino de pessoas, centros de recepção superlotados e chuvas torrenciais comprometeram a situação de higiene e saneamento, aumentando o risco de surtos de doenças.

A agência realizou intervenções nos dois centros de acolhimento e, mais tarde, no novo assentamento. O objetivo era aumentar a sensibilização e o conhecimento da comunidade sobre comportamentos e práticas saudáveis ​​relacionados à água, saneamento e higiene, saúde e nutrição, assim como educação para a paz.

Formação

Mais de 100 refugiados, incluindo quatro antigos jornalistas, e voluntários da Cruz Vermelha Angolana foram treinados em comunicação interpessoal, mensagens de salvamento de vidas e boas práticas familiares.

Os ex-jornalistas congoleses receberam ainda formação em técnicas de rádio e participação infantil para promover o diálogo e disseminar mensagens sobre água, condições sanitárias e higiene. Também aprenderam sobre nutrição, saúde e educação para a paz, com foco nas questões do género.

Os quatro ex-profissionais desenvolveram os temas e programação para duas rádios e duas antenas foram instaladas para transmitir em cinco idiomas locais, lingala, thsiluba, chokwe, francês e português.

Os jornalistas também foram treinados para envolver o público e desenvolver um programa semanal feito por e para crianças.

Para além das duas rádios, a intervenção é complementada por um grupo de comediantes e uma rede de cerca de 80 refugiados que faz mobilização porta-a-porta em todo o assentamento.

Objetivos

Refugiados congoleses na província de Lunda Norte, em Angola.
Refugiados congoleses na província de Lunda Norte, em Angola., by Acnur/Pumla Rulashe

A especialista em comunicação do Unicef Angola, Mariana Palavra, diz que estas pessoas “podem hoje dizer que gerem duas rádios, um grupo de comediantes e uma enorme rede de mobilizadores.” Para ela, “é um caso de sucesso.”

Os comediantes juntam grupos de crianças e “falam sobre temas essenciais, como higiene, boas práticas de nutrição, mas também educação para a paz.”

Palavra diz que o objetivo é “melhorar o bem-estar e o desenvolvimento de cada criança.”

Resultados

A agência realizou uma pesquisa de conhecimentos, atitudes e práticas para perceber os resultados destas campanhas de comunicação.

Segundo os resultados, três em cada quatro pessoas conhecem a importância de beber água potável, 86% usam latrinas para defecar, 79% sabe que o uso de latrinas previne doenças e mais de 80% sabe que precisa lavar as mãos regularmente com água e sabão.

Além disso, 80% destes refugiados conhecem a cólera, como se espalha e como evitá-la. As fontes mais comuns de informação para as mensagens relacionadas com estas áreas foram as duas rádios comunitárias e os mobilizadores sociais apoiados pelo Unicef.

Congoleses no acampamento em Lóvua, Angola.
Foto: Acnur/ Omotola Akindipe
Congoleses no acampamento em Lóvua, Angola.

 

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