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Unicef: falta de oportunidades de educação aumenta desespero de jovens rohingya BR

Um menino recolhe lenha que está secando no telhado de seu abrigo em um campo de refugiados em Bangladesh.
Ocha/Vincent Tremeau Estudo marca dois anos desde a chegada a Bangladesh de cerca de 745 mil civis rohingya.

Unicef: falta de oportunidades de educação aumenta desespero de jovens rohingya

Migrantes e refugiados

Dois anos após êxodo em massa de Mianmar, aprendizado de qualidade e habilidades para a vida são cruciais para mais de 500 mil crianças abrigadas em Bangladesh; agência da ONU aponta que são necessários mais 640 centros de aprendizado.

A frustração e o desespero estão afetando os jovens refugiados rohingya no sudeste de Bangladesh, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

A agência divulgou nesta sexta-feira um novo relatório pedindo investimento urgente em oportunidades de educação e desenvolvimento de competências dentro e ao redor dos vastos acampamentos onde a maioria dos refugiados vive.

Uma menina refugiada rohingya carrega uma caixa de biscoitos na cabeça enquanto caminha por uma trilha lamacenta no campo de Kutupalong.
A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, apontou que “para as crianças e jovens rohingya agora em Bangladesh, a mera sobrevivência não é suficiente.” , by Foto: PMA/Saikat Mojumder

Educação

O estudo marca dois anos desde a chegada a Bangladesh de cerca de 745 mil civis rohingya, que fugiram da violência extrema em Mianmar. O documento diz que até junho de 2019, o setor educacional em geral forneceu educação não formal para 280 mil crianças de quatro a 14 anos.

O Unicef e seus parceiros garantiram o acesso à aprendizagem de 192 mil dessas crianças, matriculadas em 2.167 centros de aprendizagem.

Centros de Aprendizado

No entanto, mais de 25 mil crianças não frequentam nenhum programa de educação. A agência da ONU aponta que são necessários mais 640 centros de aprendizado na área.

Além disso, 97% das crianças entre os 15 e os 18 anos não frequentam qualquer tipo de estabelecimento educacional.

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, apontou que “para as crianças e jovens rohingya agora em Bangladesh, a mera sobrevivência não é suficiente.” Ela acredita que "é absolutamente essencial que elas recebam o aprendizado de qualidade e o desenvolvimento de habilidades que precisam para garantir seu futuro a longo prazo."

Materiais de Ensino

Materiais de ensino e aprendizagem mais formais estão sendo progressivamente implementados para crianças refugiadas menores que estudam em centros de aprendizado.

O Unicef e outras agências da ONU pedem aos governos de Mianmar e Bangladesh que permitam o uso de recursos educacionais nacionais, como currículos, manuais de treinamento e métodos de avaliação, para ajudar a proporcionar uma aprendizagem mais estruturada para as crianças rohingya.

Relatório

Fore destaca que “fornecer materiais de aprendizagem e treinamento é uma tarefa enorme e só pode ser realizada com o apoio total de uma série de parceiros.” Ela disse que apesar das dificuldades, “as esperanças de uma geração de crianças e adolescentes estão em jogo” e não se pode “dar ao luxo de fracassar”.

O relatório defende que, sem oportunidades adequadas de aprendizagem, os adolescentes podem se tornar vítimas de traficantes que oferecem serviços para contrabandear jovens rohingya desesperados para fora do Bangladesh, e para traficantes de drogas que operam na área. Mulheres e meninas enfrentam assédio e abuso especialmente à noite.

Duas crianças sentam-se numa colina com vista para um conjunto de abrigos com painéis solares no campo de refugiados rohingya em Kutupalong, Cox's Bazar, Bangladesh.
De acordo com o Unicef, 97% das crianças refugiadas rohingya, entre os 15 e os 18 anos, não frequentam qualquer tipo de estabelecimento educacional., by Foto: OIM/Muse Mohammed

Unicef

O Unicef apoia o desenvolvimento de centros de juventude e clubes para adolescentes nos quais fatores como habilidades para a vida, apoio psicossocial, alfabetização, matemática básica e competências vocacionais são fornecidos como parte de um pacote abrangente. Quase 70 dessas instalações estavam funcionando em julho de 2019, mas são necessárias muitas outras.

O representante do Unicef em Bangladesh, Tomoo Hozumi, explicou que o objetivo da agência "é ajudar a equipar os adolescentes com as habilidades necessárias para lidar com os muitos riscos que eles enfrentam, como tráfico, abuso e, no caso de meninas, casamento precoce."

O representante disse em termos mais amplos, a agência está “ajudando esta geração de jovens a construir sua identidade e torná-los parte da solução para a situação extremamente desafiadora em que se encontram.”

Progressos

O Unicef destaca que desde 2017, sob a liderança do Governo do Bangladesh, as agências humanitárias fizeram progressos substanciais no fortalecimento de áreas como saúde, nutrição, água e saneamento, educação, proteção e serviços básicos.

Os exemplos incluem o estabelecimento de centros de saúde em campos que oferecem serviços médicos de rotina para mulheres grávidas e bebês 24 horas por dia e a provisão mais ampla de água clorada. A diarreia e outras doenças transmitidas pela água continuam sendo uma ameaça na região, mas as taxas de desnutrição entre as crianças caíram.