Chefe de Assuntos Políticos alerta Conselho de Segurança sobre aumento de tensões no Oriente Médio

23 julho 2019

Rosemary Dicarlo participou em encontro que discutiu situação entre Israel e territórios palestinos; representante disse que é preciso liderança, vontade política e determinação para recomeçar negociações de paz.

A subsecretária-geral da ONU para os Assuntos Políticos, Rosemary Dicarlo, alertou na terça-feira para o aumento dos riscos do extremismo e tensões no Oriente Médio.

Falando ao Conselho de Segurança, a representante disse que "o conflito israelo-palestino continua uma paralisia perigosa que alimenta o extremismo e aumenta as tensões."

Ação

Crianças em Gaza, onde a Unrwa assiste cerca de 1 milhão de refugiados palestinos, by Banco Mundial/Natalia Cieslik

A chefe de Assuntos Políticos da ONU destacou a gravidade da situação e a urgência de medidas concretas para “reverter a trajetória negativa” e tornar realidade “a visão de dois Estados vivendo lado a lado em paz e segurança.”

DiCarlo está preocupada com o risco de mais ações unilaterais e a dificuldade de conseguir a paz através da negociação. Ela disse que esse “duplo obstáculo pode ser evitado” criando “um ambiente propício para a promoção da paz e abertura de negociações sobre todas as questões, incluindo Jerusalém.”

Para conseguir esse debate, a subsecretária-geral disse que é preciso “liderança, vontade política e determinação” das duas partes envolvidas na questão.

Além disso, a comunidade internacional deve "trabalhar em conjunto para trazer israelenses e palestinos de volta à mesa de negociações para resolver o conflito com base na lei internacional, resoluções relevantes das Nações Unidas e acordos anteriores."

Solução

A representante afirmou que "sem a perspectiva de negociações viáveis ​​no horizonte, os acontecimentos no terreno continuarão minando a possibilidade de alcançar uma solução de dois Estados vivendo lado a lado."

Rosemary DiCarlo condenou todos os ataques contra civis palestinos e israelenses e pediu a todas as partes que se abstenham de violência. Também fez um apelo para que “todos os autores sejam responsabilizados por suas ações."

No mês passado, dois palestinos foram mortos e 890 foram feridos pelas Forças de Defesa de Israel durante vários confrontos em Gaza e na Cisjordânia. Já as forças israelenses tiveram cinco feridos.

A chefe de Assuntos Políticos pediu o fim de demolições e apreensões de estruturas palestinas pelas autoridades israelenses. Segundo ela, no último mês foram demolidas ou confiscadas 66 estruturas, sobretudo devido à falta de licenças de construção emitidas por Israel.

Deslocamento

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, as demolições e apreensões resultaram no deslocamento de 90 palestinos, incluindo 58 crianças, e afetaram a subsistência de cerca de 6,3 mil pessoas.

A nível econômico, a representante destacou os esforços de criação de empregos na Faixa de Gaza, através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, e da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa. Esses esforços criaram até agora cerca de 9 mil empregos, incluindo para aproximadamente 3 mil mulheres.

DiCarlo também destacou o aumento da zona de pesca de Gaza, que foi ampliada de 10 para 15 milhas náuticas, e a devolução por Israel de 44 barcos de pesca confiscados na Faixa de Gaza.

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Especialistas da ONU acompanham “com tristeza” destruição de assentamento palestino de Sur Bahir

Centenas de forças israelenses entraram esta segunda-feira em comunidade da Cisjordânia demolindo vários edifícios residenciais; especialistas das Nações Unidas dizem que ação viola direito internacional.