Mais de 100 mil pessoas foram detidas, sequestradas ou desapareceram na Síria
BR

7 agosto 2019

Mais de 50 mil fotos podem ser a evidência de tortura e maus-tratos; grande parte das detenções teriam sido feitas pelo governo sírio; abusos hediondos teriam sido cometidos pelo grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, e por extremistas Hay.

A subsecretária-geral das Nações Unidas para os Assuntos Políticos e Consolidação da Paz pediu esta quarta-feira às partes do conflito na Síria que libertem todas as pessoas arbitrariamente detidas ou sequestradas.

Falando numa sessão do Conselho de Segurança, Rosemary DiCarlo citou relatos ainda não confirmados apontando para mais de 100 mil pessoas nessas situações. Grande parte das detenções, mas não todas, teriam sido feitas pelo governo sírio.

A subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, iniciará uma visita oficial à África Ocidental.
DiCarlo apontou mais de 50 mil fotos que podem ser a evidência de tortura e maus-tratos mais óbvia em centros de detenção do governo. Foto ONU/Loey Felipe

Falta de Acesso

As Nações Unidas não dispõem de estatísticas oficiais sobre os detidos, sequestrados ou desaparecidos na Síria porque seus especialistas ainda não tiveram acesso aos locais de detenção no país.

Desde 2011, a Comissão Internacional Independente de Inquérito para a Síria, presidida pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, tem documentado graves violações de direitos humanos naquele país.

DiCarlo apontou mais de 50 mil fotos que podem ser a evidência de tortura e maus-tratos mais óbvia nesses centros de detenção do governo. As imagens foram obtidas por um desertor militar sírio e divulgadas em 2014, mostrando cerca de 7 mil cadáveres com marcas de tortura.

Grupo Terrorista

A subsecretária-geral lembrou que esses abusos não se limitam às forças do governo. De acordo com a Comissão de Inquérito, abusos hediondos teriam sido cometidos pelo grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, e por extremistas Hay, em Tahrir al-Sham.

O informe também menciona ações graves cometidas por grupos armados ligados à à oposição.

DiCarlo apelou às partes do conflito a "cumprir suas obrigações perante a lei internacional: libertar unilateralmente todas as pessoas arbitrariamente detidas ou sequestradas e de forma mais urgente a mulheres, crianças, doentes e idosos que estão entre essas pessoas ".

Amina Khoulani, membro fundadora da "Families for Freedom", discursa na reunião do Conselho de Segurança sobre a situação na Síria.
ONU/Loey Felipe
Amina Khoulani, membro fundadora da "Families for Freedom", discursa na reunião do Conselho de Segurança sobre a situação na Síria.

Registros

Outro pedido feito aos envolvidos nos confrontos é que recolham, protejam e gerenciem todos os dados e documentos relevantes sobre detidos, raptados e desaparecidos e criem um mecanismo com a Cruz Vermelha.

Como parte desse procedimento seriam processadas essas informações em coordenação com o Escritório do Enviado Especial das Nações Unidas para a Síria.

A subsecretária-geral pediu ainda que sejam fornecidas informações às famílias, identificados os mortos e devolvidos sempre que possível aos entes queridos.

DiCarlo quer que sem demora e através dos canais apropriados, seja fornecida uma lista de todos os locais de detenção e providenciado acesso imediato a esses lugares por uma terceira parte neutra.

Violência na Síria deixou 134 crianças mortas e mais de 125 mil deslocadas desde o início do ano.
ONU Síria/Fadwa Baroud AbedRabou
Violência na Síria deixou 134 crianças mortas e mais de 125 mil deslocadas desde o início do ano.

Tribunal Penal Internacional

A chefe dos Assuntos Políticos pediu a prestação de contas dos responsáveis por graves violações do direito internacional humanitário e dos direitos humanos e o combate a impunidade essencial para a realização e manutenção de direitos humanos e de uma paz duradoura.

O apelo a todas as partes do conflito, em particular o Governo da Síria, é que coopere plenamente com o Mecanismo Internacional, Imparcial e Independente e com a Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre a Síria.

DiCarlo reiterou o apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, para que a situação síria seja encaminhada para o Tribunal Penal Internacional, TPI.

 

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