Perspectiva Global Reportagens Humanas

Guterres: “Moçambique tem autoridade moral inegável” para pedir apoio internacional

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, discursando numa vigilância de imprensa com o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, em Maputo.
ONU/Eskinder Debebe O secretário-geral António Guterres e H.E. Sr. Filipe Nyusi Presidente de Moçambique durante a conferência de Imprensa.

Guterres: “Moçambique tem autoridade moral inegável” para pedir apoio internacional

Assuntos da ONU

Secretário-geral encontrou-se com o chefe de Estado e membros do governo em Maputo; chefe da ONU recebeu atualização sobre a situação após ciclones idai e Kenneth; agenda da visita inclui a cidade da Beira e campo de reassentamento.

O secretário-geral das Nações Unidas disse esta quinta-feira, em Maputo, que “Moçambique tem autoridade moral inegável” para pedir apoio da comunidade internacional depois dos ciclones que atingiram o país em março e abril.

António Guterres falava aos jornalistas no final de um encontro com o presidente moçambicano, Filipe Jacinto Nyusi, e vários membros do governo.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, cumprimenta o Presidente de Moçambique, Sua Excelência o Senhor Filipe Nyusi, no Gabinete da Presidência, em Maputo.
O secretário-geral António Guterres encontra-se com o presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, em Maputo, Moçambique. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Direito

O chefe da ONU afirmou que “Moçambique praticamente não contribui para o aquecimento global, mas está na primeira linha das vítimas desse mesmo aquecimento global.”

“Isso dá-lhe o direito de exigir da comunidade internacional uma forte solidariedade e um forte apoio quer na resposta aos dramas criados pelas tempestades que assolam o país, quer na preparação do país, na reconstrução e preparação do país para as situações futuras.”

Guterres chegou ao país esta quinta-feira para uma visita de dois dias. Depois de Maputo, parte para a cidade da Beira para visitar as áreas afetadas pelo ciclone Idai.

Para o representante, visitar Moçambique “é uma questão do coração”. Ele já esteve no país no exercício de todas as funções oficiais que já teve, primeiro-ministro de Portugal, presidente da Internacional Socialista, alto comissário para os Refugiados e agora como secretário-geral das Nações Unidas.

Primeira Hora

O chefe da ONU disse que “as Nações Unidas estiveram sempre com o povo moçambicano, é verdade, dessa a primeira hora.”

“As agências das Nações Unidas encararam Moçambique como uma prioridade absoluta nesse momento, mobilizando o que de melhor tinham para poder estar ao lado do povo moçambicano e contribuir para aquilo que foi uma mobilização muito eficaz do governo e uma coragem extraordinária do povo. Uma resposta extraordinária.”

Guterres lembrou o apelo humanitário das Nações Unidas, de US$ 280 milhões, dizendo que “esteve longe de ser inteiramente cumprido.” Também recordou que na conferência de doadores de maio, na cidade da Beira, o Estado moçambicano solicitou US$ 3,2 mil milhões e foram prometidos US$ 1,2 mil milhões.

“É evidente que vai ser preciso mais, vai ser preciso mais ajuda, mais apoio da comunidade internacional a Moçambique para poder responder efetivamente. E não apenas mais apoio, mas a concretização rápida dos apoios prometidos. E essa é uma outra questão decisiva em relação à solidariedade da comunidade internacional. É preciso não apenas apoiar, mas apoiar a tempo.”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, cumprimenta uma pessoa vestida com trajes tradicionais ao chegar ao aeroporto de Maputo, Moçambique.
ONU/Eskinder Debebe O secretário-geral António Guterres é recepcionado em sua chegada a Maputo, capital de Moçambique.

Presidente

Por sua vez, o presidente Filipe Jacinto Nyusi disse que a organização “foi a primeira pessoa e instituição a juntar-se aos moçambicanos, mobilizando a assistência”. O representante declarou que os apoios que o país recebeu foram “resultantes dos apelos que o secretário-geral fazia pessoalmente, mas também como instituição”.

Nyusi afirmou que Guterres acompanhou todo o processo “pessoalmente”. Durante a conferência internacional de doadores, “encorajou e mobilizou mais energias para compreender o que era preciso fazer.”

Nyusi destacou o trabalho de agência da ONU e disse que estas “trabalharam no sentido de salvar mais vidas e mitigar o sofrimento dos moçambicanos”.

Segundo o chefe de Estado moçambicano, o processo de paz também foi discutido durante o encontro. Nyusi explicou “os passos que estão a ser dar no dossier da paz”, que considerou “o primado principal do povo moçambicano.”

Alunos estudam em uma sala de aula sem teto na Escola 25 de Junho, em Beira, Moçambique, após os danos causados ​​pelos ciclones Idai e Kenneth. Uma professora instrui as crianças em um ambiente ao ar livre.
ONU/Eskinder Debebe Alunos recebem aulas em escola sem teto na Beira, Moçambique.

Partidos Armados

O líder moçambicano exprimiu ainda a intenção de que antes de outubro, data das eleições presidenciais, “não haja partidos armados e todos possam celebrar a festa da democracia sem receio e sem medo.”

Guterres chegou a Maputo por volta das 13 horas locais, sendo recebido por autoridades do país, uma parada militar, danças tradicionais e crianças que lhe entregaram flores.

Depois de um encontro com os chefes de agências da ONU que fizeram um balanço da situação no país, o secretário-geral manteve o encontro com o presidente e os membros do Governo de Moçambique.

Guterres participou depois em um encontro sobre proteção de crianças com albinismo e terminou o dia com um jantar de Estado oferecido pelo presidente Nyusi.