OMS atualiza lista de orientações sobre medicamentos e diagnósticos
BR

10 julho 2019

Medida pretende ajudar a enfrentar desafios de saúde e tornar preços acessíveis; novos itens têm foco em câncer e outros desafios globais de saúde; atualmente 150 países usam a Lista de Medicamentos Essenciais da OMS.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, atualizou as listas de medicamentos e diagnósticos essenciais.  As orientações dadas aos países são para que estes priorizem produtos de saúde que estejam amplamente disponíveis e sejam acessíveis em todos os sistemas de saúde do mundo.

O foco dos catálogos é dado ao câncer e outros desafios globais de saúde, com ênfase em soluções eficazes, priorização inteligente e acesso otimizado aos pacientes.

Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus. Foto: ONU/Daniel Johnson

Relação custo-benefício

O diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, destacou que em todo o mundo, mais de 150 países usam a Lista de Medicamentos Essenciais da OMS para orientar decisões sobre quais medicamentos representam a melhor relação custo-benefício, com base em evidências e no impacto na saúde.

Segundo o representante, a “inclusão de alguns dos mais recentes e mais avançados medicamentos contra o câncer, que salvam vidas, é uma forte declaração de que todos merecem acesso a eles, não apenas aqueles que podem pagar."

A Lista de Medicamentos Essenciais atualizada acrescenta 28 medicamentos para adultos e 23 para crianças, além de especificar novos usos para 26 produtos já listados. Com a atualização, cerca de 460 produtos são considerados essenciais no atendimento às principais necessidades de saúde pública.

Terapias contra o câncer

As cinco terapias contra o câncer adicionadas pela OMS na nova Lista de Medicamentos são consideradas as melhores em termos de taxas de sobrevivência para tratar câncer de pele melanoma, pulmão, sangue e próstata.

Duas imunoterapias recentemente desenvolvidas, a Nivolumab e a Pembrolizumab, por exemplo, forneceram até 50% de sobrevida para o melanoma avançado, um câncer que até recentemente era incurável.

OPS-OMS/Sebastián Oliel
As cinco terapias contra o câncer adicionadas pela OMS na nova Lista de Medicamentos são consideradas as melhores em termos de taxas de sobrevivência

Antibióticos

Em relação aos antibióticos, o Comitê de Medicamentos Essenciais reforçou o aconselhamento sobre o uso desses medicamentos, atualizando as categorias que indicam quais devem ser usados para infecções comuns e graves. A meta é alcançar melhores resultados de tratamento e reduzir o risco de resistência antimicrobiana.

O Comitê recomendou que três novos antibióticos para o tratamento de infecções resistentes a múltiplas drogas sejam adicionados como essenciais.

Outras atualizações

Também entraram na lista novos anticoagulantes orais para prevenir AVC, o que é vantajoso para os países de baixa renda. Os novos medicamentos incluem biológicos e seus respectivos biossimilares para condições inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide e doenças inflamatórias intestinais, e carbetocina termoestável para a prevenção da hemorragia pós-parto.

Nem todas as submissões ao Comitê estão incluídas na lista. Medicamentos para esclerose múltipla submetidos para inclusão, por exemplo, não foram listados. Um aplicativo será lançado com todas as opções relevantes disponíveis.

A OMS não recomendou a inclusão do metilfenidato, um remédio para o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (Tdah), por incertezas nas estimativas de seus benefícios.

Sema
Lista atualizada de diagnósticos essenciais contém 46 testes gerais que podem ser usados para atendimentos de rotina ao paciente.

Lista de Diagnósticos Essenciais

A primeira lista de diagnósticos essenciais foi publicada em 2018, concentrando-se em um número limitado de infeções prioritárias, como HIV, malária, tuberculose e hepatites. Este ano, o catálogo foi expandido para abranger mais doenças não transmissíveis e transmissíveis.

A lista atualizada de diagnósticos essenciais contém 46 testes gerais que podem ser usados para atendimentos de rotina ao paciente, bem como para a detecção e diagnóstico de uma ampla gama de condições de doença; 69 testes são destinados à detecção, diagnóstico e monitoramento de doenças específicas.

Diagnóstico precoce

Entre elas está o câncer, devido à importância de garantir um diagnóstico precoce. De acordo com a OMS, 70% das mortes por doenças cancerígenas  ocorrem em países de baixa e média renda, principalmente porque a maioria dos pacientes é diagnosticada de forma tardia.

A agência adicionou 12 testes à Lista de Diagnósticos para detectar uma ampla gama de tumores sólidos.

A nova lista tem foco em doenças infecciosas predominantes em países de baixa e média renda, como a cólera, e em doenças negligenciadas como leishmaniose, esquistossomose, dengue e zika. Além disso, uma nova seção para testes de influenza foi adicionada para ambientes de saúde da comunidade onde não há laboratórios disponíveis.

Foto: Kate Mayberry/Irin
O mosquito aedes aegypti transmite doenças como chikungunya, dengue e zika.

Testes gerais

A lista também foi expandida para incluir testes gerais que abordam uma série de doenças e condições, como testes para anemia e testes para diagnosticar o mau funcionamento da tireoide e a anemia falciforme, muito presente na África Subsaariana.

Há também uma nova seção específica para testes destinados à triagem de doações de sangue. Isso faz parte de uma estratégia da OMS para tornar as transfusões mais seguras.

Ambas as listas da OMS são modelos para os países desenvolverem suas próprias listas nacionais, baseadas na carga local de doenças e na infraestrutura de prestação de cuidados de saúde existentes.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

OMS diz que combate ao ebola na RD Congo continua apesar de “ameaças violentas”

Desde o início do surto em agosto passado, 2.284 pessoas foram contaminadas com o vírus e 1.540 morreram; Uganda realiza campanha de preparação para um surto, vacinando mais de mil pessoas e treinando 16 mil voluntários.

OMS destaca escassez de tratamento para epilepsia em países de baixa renda

Tratamento de US$ 5 pode evitar crises durante um ano; risco de morte prematura entre estes pacientes é até três vezes maior do que na população geral; Moçambique faz parte de programa da OMS que permitiu aumentar acesso a tratamento para 6,5 milhões de pessoas em quatro países.