Reconstrução pós-ciclones é “longa caminhada”, diz primeiro-ministro de Moçambique  

25 junho 2019

Representante participou em encontro da ONU em Nova Iorque dedicado aos temas da água e desastres; são necessários, no mínimo, US$ 3,2 mil milhões para a recuperação das perdas e danos causados por ciclones Idai e Kenneth.

O primeiro-ministro de Moçambique disse esta segunda-feira que “o nível das necessidades para a reconstrução” pós-ciclones “está para além das capacidades financeiras de Moçambique.”

Carlos Agostinho do Rosário discursou na Quarta Sessão Temática Especial da ONU sobre Água e Desastres, que decorre na sede da ONU, em Nova Iorque.

Necessidades

O representante afirmou que, sozinho, o país “não conseguirá ter recursos necessários para assegurar a reconstrução sustentável e resiliente aos efeitos das mudanças climáticas.”

“Para o efeito, Moçambique precisa do apoio da comunidade internacional. Sabemos que não estamos sozinhos neste processo de reconstrução. Tal como no período de assistência de emergência, esperamos continuar a contar com o apoio dos nossos parceiros para superar este desafio de reconstrução pós calamidades.”

Apoio

Com o apoio das Nações Unidas, Banco Mundial e União Europeia, o Gabinete de Reconstrução pós-ciclones Idai e Kenneth fez um levantamento das necessidades de reconstrução.

Esta avaliação indica que são necessários, no mínimo, US$ 3,2 mil milhões para a recuperação das perdas e danos causados por estes dois ciclones.

Em maio, realizou-se na cidade da Beira a Conferência Internacional de Doadores, durante a qual os parceiros prometeram um apoio de US$ 1,2 mil milhões.

“Este montante permite o arranque da primeira fase do programa de reconstrução. Reconhecemos, contudo, que o processo de reconstrução pós-calamidades é uma longa caminhada e que necessita de muitos recursos. É assim que apelamos aos nossos parceiros a continuarem a apoiar o nosso país com recursos, de forma a garantirmos a rápida recuperação e reconstrução pós ciclones.”

Acompanhe aqui a entrevista da ONU News com o primeiro-ministro. 

Danos

Os ciclones Idai e Kenneth causaram a destruição total ou parcial de mais de 240 mil casas, afetaram 1,37 mil escolas e 92 unidades sanitárias ficaram parcial ou totalmente destruídas. Cerca de 3.000 km² de terra e mais de 700 mil hectares de terra cultivada ficaram inundados com a passagem do ciclone Idai.

Segundo o primeiro-ministro, devido à sua localização geográfica, Moçambique recebe tem condições favoráveis ao desenvolvimento de ciclones, que se tornaram cada vez mais frequentes e intensos nos últimos anos.

De 1990 até o presente momento, o país foi assolado por 10 ciclones. No primeiro trimestre de 2019, registou a passagem de três ciclones de grande intensidade.

O ciclone Idai, que foi o mais intenso nos últimos anos no hemisfério sul, afetou mais de 1.8 milhões de pessoas, dos quais 600 perderam a vida.

 

 

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