Perspectiva Global Reportagens Humanas

Salas de aula à prova de cheias e ciclones em Moçambique atendem a 100 mil crianças  BR

A professora Anita Buvuro Durumue Dique e Myrta Kaulard, coordenadora residente da ONU em Moçambique, conversam com uma turma de crianças em um prédio escolar danificado na Escola Primária Mulheres de Macombe, em Beira, Moçambique, na segunda-feira, 2 de março de 2020.
ONU Moçambique/Arete/Karel Prinsloo Iniciativa agrega materiais locais como lama, pedras, bambu a materiais convencionais testados

Salas de aula à prova de cheias e ciclones em Moçambique atendem a 100 mil crianças 

Ajuda humanitária

Iniciativa junta ONU Habitat, Ministério da Educação e ONGs atuando no país; medida deve aumentar número de alunos e tempo de estudo sem interrupções devido a desastres. 

Moçambique tem salas de aula resistentes a cheias e ciclones que podem acolher 100 mil crianças. A iniciativa foi implementada pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, ONU-Habitat, em cooperação com as autoridades locais e ONGs. 

A agência divulgou, nesta quarta-feira, o resultado do Projeto de Recuperação Resiliente de Emergência em parceria com o Ministério da Educação. Há mais de dois anos, os ciclones Idai e Kenneth passaram pelo centro e norte do país causando ampla destruição. 

Risco  

Foi a vulnerabilidade de Moçambique ao clima que levou as ONGs Oikos-Cooperação e desenvolvimento e Visão Mundial a iniciar o projeto em 2017. Mais de 600 salas de aula foram construídas e reabilitadas na primeira fase.  

O secretário-geral da ONU, António Guterres, visita uma escola no campo de reassentamento de Mandruzi, em Moçambique.
ONU/Eskinder Debebe Secretário-geral António Guterres visita uma escola no campo de Mandruzi, reassentamento a 40 km da Beira, em Moçambique.

 

Depois, o Banco Mundial apoiou a expansão a reconstrução de 3 mil salas de aula, aliando a experiência de quase duas décadas da ONU-Habitat em infraestruturas resilientes e na redução do risco de desastres.  

A reabilitação e reconstrução aconteceram nas províncias de Niassa, Zambézia e Nampula em áreas frequentemente afetadas por enchentes, chuvas intensas e ventos fortes. No país africano, que é um dos mais vulneráveis às alterações climáticas, ocorrem cada vez mais ciclones e cheias.  

Com uso de técnicas tradicionais, a iniciativa agrega materiais locais como lama, pedras, bambu a materiais convencionais testados. Desta forma são minimizados os danos às infraestruturas escolares, que vêm impedindo o acesso contínuo à educação. 

Comunidades  

A agência da ONU revelou ainda que a abordagem envolve as autoridades locais, comunidades e empreiteiros locais. Nesse processo são treinados habitantes em técnicas de construção resilientes e no emprego, para que possam usar o método resiliente na construção de casas e outras infraestruturas. 

Dois meninos brincam em uma jangada improvisada em uma grande poça d'água no campo de refugiados de Tongogara, no Zimbábue, após o ciclone Idai.
Foto: Unhcr/Zinyange Auntony País africano é um dos mais vulneráveis às alterações climáticas

 

Para o líder de Muchaleque, uma comunidade beneficiária, com os métodos de construção usados nas salas de aula estas serão mais resistentes. Martinho Nikuava disse que muitas pessoas têm sido treinadas no método de construção. 

Método  

Ele realçou o grande sofrimento na etapa anterior e as comunidades tinham que consertar as salas de barro com frequência. As novas salas foram acolhidas por toda a comunidade, principalmente as crianças. 

A expectativa é que com as novas salas de aula resilientes haja um aumento nas matrículas de alunos e melhores condições de estudo, sem interrupções devido ao clima. 

Alunos estudam em uma sala de aula sem teto na Escola 25 de Junho, em Beira, Moçambique, após os danos causados ​​pelos ciclones Idai e Kenneth. Uma professora instrui as crianças em um ambiente ao ar livre.
ONU/Eskinder Debebe Alunos recebem aulas em escola sem teto na Beira.