Unctad: “investimento direto estrangeiro confinado a níveis pré-crise financeira”

12 junho 2019

Indicador económico recua pelo terceiro ano consecutivo; repatriamento de capitais para os EUA é a principal causa; países em desenvolvimento são os mais atingidos.

Os fluxos globais de investimento estrangeiro direto, IDE, caíram 13% em 2018, para US$ 1,3 trilhão. É o terceiro ano consecutivo que este indicador económico recua.

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, esta nova contração deve-se em grande parte ao repatriamento de capitais efetuado pelas empresas multinacionais dos Estados Unidos.

Este repatriamento aumentou exponencialmente depois da introdução de políticas fiscais vantajosas no final de 2017.

Efeitos

Apesar do declínio do IDE, os Estados Unidos continuam a ser os maiores recetores de IDE, seguidos pela China, Hong Kong e Singapura.
​​​​​​​Banco Mundial/ Lakshman Nadaraja

Os países em desenvolvimento são os mais atingidos por esta quebra, onde o IDE caiu um quarto para US$ 557 bilhões. O mesmo nível que foi registado em 2004.

O secretário-geral da Unctad, Mukhisa Kituyi, explica que o IDE continua confinado aos níveis pré-crise financeira e não reflete a promessa da comunidade internacional “de enfrentar desafios globais urgentes, como a pobreza extrema e a crise climática.”

Para o responsável, a geopolítica e as tensões comerciais continuaram a pesar sobre o IDE em 2019.

Apesar do declínio do IDE, os Estados Unidos continuam a ser os maiores recetores de IDE, seguidos pela China, Hong Kong e Singapura.

O Japão passou a ser o país que mais investe fora das suas fronteiras, seguido pela China e por França.

Recuperação

Em 2019, espera-se que o IDE recupere nas economias desenvolvidas à medida que o efeito dos movimentos tributários dos EUA diminua.

No entanto, esta recuperação pode ser relativamente modesta e ser ainda mais afetada por riscos geopolíticos, a escalada das tensões comerciais e a adoção de políticas mais protecionistas.

 

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