Covid reduz investimentos diretos estrangeiros em 35%, mas recuperação pode vir este ano 
BR

21 junho 2021

Relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, indica que fluxos para Ásia devem continuar resilientes em 2021; mas recuperação substancial para África, América Latina e Caribe mostra-se improvável.  

Os fluxos globais de investimento direto estrangeiro, IDE, devem chegar ao fundo do poço em 2021 e recuperar algum terreno perdido com um aumento de 10% a 15%. 

Essa é a principal conclusão do Relatório de Investimento Mundial 2021, publicado esta segunda-feira pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.   

Pandemia 

Em todo o mundo, os fluxos caíram 35% no ano passado, de US$ 1,5 trilhão em 2019 para US$ 1 trilhão. 

Grandes projetos de infraestrutura como esta barragem no Cazaquistão, geralmente exigem investimento estrangeiro
Banco Mundial/Shynar Jetpissova
Grandes projetos de infraestrutura como esta barragem no Cazaquistão, geralmente exigem investimento estrangeiro

Os bloqueios causados ​​pela pandemia atrasaram os projetos de investimento e as perspectivas de uma recessão levaram as empresas multinacionais a reavaliar novas propostas. 

A queda foi mais acentuada em economias desenvolvidas, onde o IDE caiu 58%, em parte devido à reestruturação corporativa e aos fluxos financeiros dentro das empresas. 

Nas economias em desenvolvimento, a queda foi de apenas 8%, principalmente devido aos fluxos robustos na Ásia. Como resultado, as economias em desenvolvimento responderam por dois terços do IDE global.  

Capacidade produtiva 

Por outro lado, os anúncios de novos projetos, conhecidos como greenfield, baixaram 42% nos países em desenvolvimento. Os negócios internacionais de financiamento de projetos, importantes para infraestrutura, caíram 14%. 

Em comunicado, a secretária-geral interina da Unctad, Isabelle Durant, disse que “esses tipos de investimento são cruciais para o desenvolvimento da capacidade produtiva e da infraestrutura e, portanto, para as perspectivas de recuperação sustentável.” 

A Covid-19 também causou um colapso nos fluxos de investimento para setores relevantes para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, nos países em desenvolvimento. 

Todos os setores de investimento de ODS, exceto um, energias renováveis, tiveram um declínio de dois dígitos em relação aos níveis pré-pandemia
Pnud Iémen
Todos os setores de investimento de ODS, exceto um, energias renováveis, tiveram um declínio de dois dígitos em relação aos níveis pré-pandemia

Todos os setores de investimento de ODS, exceto um, energias renováveis, tiveram um declínio de dois dígitos em relação aos níveis pré-pandemia. A crise agravou o declínio em setores que já eram fracos antes da crise de saúde, como energia, alimentos e agricultura e saúde. 

Para a chefe do Unctad, a queda nesta área “pode reverter o progresso alcançado no investimento dos ODS nos últimos anos, representando um risco para o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e para a recuperação sustentada pós-pandemia sustentada.” 

Tendências regionais 

No ano passado, estas tendências variaram significativamente por região. 

Regiões em desenvolvimento e economias em transição foram mais afetadas em atividades baseadas em recursos e dependentes da cadeia de valor global.  

Os fluxos de IDE para a Europa diminuíram 80%, enquanto para a América do Norte caíram menos acentuadamente, cerca de 40%. A queda nas regiões em desenvolvimento foi desigual, indo desde 45% na América Latina e Caribe até  16% na África. 

Já na Ásia, os investimentos aumentaram 4%, com o Leste Asiático recebendo cerca de metade de todo o IDE global em 2020. Este mesmo indicador caiu 58% nas economias em transição.  

Multinacionais  

As empresas multinacionais são responsáveis pela maior parte do IDE global e estão resistindo à crise criada pela pandemia. 

Apesar da queda nos lucros, as 100 principais empresas multinacionais aumentaram significativamente a liquidez, um sinal de sua resiliência. 

O número de multinacionais estatais, cerca de 1,6 mil em todo o mundo, aumentou 7%, com algumas novas entradas resultando de programas de resgate governamentais.  

Recuperação substancial para a África e para a América Latina e o Caribe é improvável no curto prazo 
Divulgação / Prefeitura de Santos
Recuperação substancial para a África e para a América Latina e o Caribe é improvável no curto prazo 

A agência da ONU estima que os fluxos globais de IDE aumentem entre 10% a 15% em 2021, mas isso ainda deixa o indicador 25% abaixo do nível de 2019.  

Pacotes 

As previsões mostram um novo aumento em 2022 que, no limite superior das projeções, traz o IDE de volta ao nível de 2019.  

O relatório diz que “as perspectivas são altamente incertas e dependerão, entre outros fatores, do ritmo da recuperação econômica e da possibilidade de recaídas pandêmicas, do impacto potencial dos pacotes de gastos de recuperação sobre o IDE e das pressões políticas.” 

A recuperação também dever ser desigual, com as economias desenvolvidas impulsionando o crescimento global em IED, com forte atividade de fusões e aquisições e apoio ao investimento público em larga escala. 

Os fluxos para a Ásia permanecerão resilientes, mas uma recuperação substancial para a África e para a América Latina e o Caribe é improvável no curto prazo. 

 

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