Covid-19 reduz investimento direto estrangeiro pela metade, no Brasil queda de 48% 
BR

27 outubro 2020

Novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, incida maiores perdas em países desenvolvidos; tendência de queda permanece até fim deste ano; maiores perdas ocorreram na Itália, nos Estados Unidos e no Brasil, o único país de língua portuguesa no relatório. 

Os fluxos globais de investimento direto estrangeiro, IDE, caíram 49% no primeiro semestre de 2020 em comparação com o ano passado, devido à crise econômica causada pela Covid-19.   

A informação faz parte do Monitor de Tendências de Investimento Global da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, publicado esta terça-feira.  

Porto do Rio de Janeiro, no Brasil, onde IDE caiu 48%, Agência Brasil/Tânia Rêgo

Panorama 

Com a pandemia, medidas como confinamento social e bloqueios atrasaram ou cancelaram projetos de investimento. Além disso, as perspectivas de uma recessão profunda levaram empresas multinacionais a reavaliar ações. 

Em comunicado, o diretor de investimentos e empresas da Unctad, James Zhan, disse que o declínio “é mais drástico do que se esperava, principalmente nas economias desenvolvidas.”  

Segundo ele, “as economias em desenvolvimento resistiram à tempestade relativamente melhor na primeira metade do ano e o panorama permanece altamente incerto.”  

Regiões  

Já nos países desenvolvidos, o investimento direto estrangeiro chegou a US$ 98 bilhões, uma descida de 75% em relação a 2019.  

Fluxos negativos nas economias europeias, principalmente na Holanda e na Suíça, agravaram a situação. Na América do Norte, o indicador caiu 56%, com perda de US$ 68 bilhões.  

Por outro lado, a redução de 16% para as economias em desenvolvimento foi menor do que o esperado, devido, principalmente, aos resultados da China.  

Economias em desenvolvimento resistiram à tempestade relativamente melhor na primeira metade do ano e o panorama permanece altamente incerto

Os fluxos diminuíram apenas 12% na Ásia, mas caíram 28% na África e 25% na América Latina e no Caribe.  

A Itália foi a nação com maior queda: 74%, seguida por Estados Unidos, 61%, e do Brasil, onde a redução foi de 48%.  

Diferenças  

O declínio afetou todas as principais formas de investimento direto estrangeiro.   

Segundo o relatório, os valores de fusões e aquisições internacionais alcançaram US$ 319 bilhões nos primeiros três trimestres de 2020.   

A redução de 21% nos países desenvolvidos, que respondem por cerca de 80% das transações globais, foi causada pela situação n setor digital.  

Em relação ao investimento em iniciativas que estão começando do zero, conhecidos como projetos Greenfield, a queda foi muito maior nas economias em desenvolvimento, cerca de 49%, do que nas economias desenvolvidas, onde caiu apenas 17%.  

Investimentos da China controlaram queda do indicador na Âsia, Man Aihua

Previsões   

A Unctad está mantendo suas perspectivas para o ano de uma redução de 30% a 40% nos fluxos de investimento direto estrangeiro.  

Segundo a pesquisa, é provável que a baixa nas economias desenvolvidas se estabilize. Mesmo assim, havia uma percepção de recuperação entre julho e setembro.  

Os fluxos para as economias em desenvolvimento também se devem estabilizar, com o Leste Asiático mostrando sinais de revitalização.  

O relatório afirma que “os fluxos dependerão da duração da crise de saúde e da eficácia das intervenções políticas para mitigar os efeitos econômicos da pandemia.” Segundo a pesquisa, “os riscos geopolíticos continuam aumentando a incerteza.”  

Apesar da queda em 2020, este tipo de investimento continua sendo a fonte mais importante de financiamento externo para os países em desenvolvimento. No final de 2019, cerca de US$ 37 trilhões estavam disponíveis para este tipo de investimento.  

 

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