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Moçambique acolhe conferência internacional de doadores para reconstrução após ciclones

Uma menina de vestido rosa caminha em um campo de refugiados em Beira, Moçambique, com outra criança visível dentro de um abrigo improvisado com lona azul.
© Pnud Moçambique Acampamento na Beira, em Moçambique, que abriga famílias afetadas pelo ciclone

Moçambique acolhe conferência internacional de doadores para reconstrução após ciclones

Paz e segurança

Evento decorre sexta-feira e sábado na cidade da Beira, uma das áreas mais atingidas; estimativas apontam para cerca de 1,85 milhão de pessoas afetadas; país precisa de US$ 3,2 mil milhões.

A cidade da Beira, em Moçambique, acolhe esta sexta-feira e sábado uma Conferência Internacional de Doadores para conseguir financiamento para a reconstrução após os ciclones que atingiram o país.  

A conferência é organizada pelo Secretariado de Reconstrução Pós-ciclone, recentemente criado pelo Governo de Moçambique para facilitar a reconstrução e a construção de resiliência nas áreas afetadas. As Nações Unidas apoiam o evento.

Em Beira, Moçambique, as pessoas recolhem água num ponto de abastecimento temporário após a passagem do ciclone Idai.
Famílias no acampamento Samora Michel na Beira, em Moçambique, OIM/Sandra Black

Avaliação

Nas últimas semanas, o país realizou uma Avaliação das Necessidades Pós-Desastres, Pdna na sigla em inglês. O estudo técnico aprofundado teve o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, União Europeia, Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento.

Segundo a porta-voz do governo de Moçambique, Ana Comoana, "este relatório constitui a base da conferência da Beira".

De acordo com a pesquisa, Moçambique precisa de US$ 3,2 mil milhões para a reconstrução pós-ciclone nas áreas sociais, produtivas e de infraestruturas afetadas nas províncias de Sofala, Manica, Tete, Zambézia, Inhambane, Nampula e Cabo Delgado.

Sobre os esforços de reconstrução, o documento diz que “o impacto negativo das alterações climáticas é agora uma realidade crescente para Moçambique, e essa situação deve ser considerada agora e no futuro.”

Programa

O primeiro dia da conferência, sexta-feira, será ocupado com discussões técnicas. O segundo dia será dedicado às promessas dos diferentes doadores, e será presidido pelo presidente do país, Filipe Jacinto Nyusi.

Espera-se que cerca de 700 participantes de organizações internacionais, parceiros de desenvolvimento, setor privado e organizações da sociedade civil estejam presentes na conferência.

Pessoas deslocadas permanecem em uma estrada alagada em Moçambique após a passagem do furacão Kenneth, em abril de 2019.
O ciclone Kenneth causou grandes danos nos sistemas de energia nas zonas urbanas usados para fornecer água e as fortes chuvas infetaram muitos furos e poços das zonas rurais, tornando-os inutilizáveis, PMA/Mohamed Razak

Danos

O país foi primeiro atingido a 14 de março pelo ciclone Idai, que causou mais de 600 mortes. Seis semanas depois, o Kenneth atingiu as províncias de Cabo Delgado e Nampula. Esta foi a primeira vez que o país sofreu com ciclones arrasadores no prazo de seis semanas.

A diretora do Escritório Regional para a África do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, disse que a agência “apoia plenamente os esforços do Governo de Moçambique para alcançar uma recuperação e resiliência sustentáveis.”

Ahunna Eziakonwa visitou Moçambique em abril para ver os danos e disse que testemunhou "pessoalmente os resultados da devastação causada pelo Ciclone Idai durante a recente visita às áreas afetadas."

As Nações Unidas ajudam iniciativa através do Escritório de Assuntos Humanitários, Ocha, e o Pnud que concede apoio político e técnico, tendo prestado assistência nos esforços de recuperação desde o início.