Moçambique precisa de mais de US$ 3 bilhões para reconstrução após ciclone Idai

16 maio 2019

Na ONU, interação entre países afetados e comunidade internacional destacou conferência de doadores deste mês na cidade da Beira; embaixador moçambicano pede apoio para revitalizar economia e infraestruturas nas áreas mais afetadas.

Especialistas das Nações Unidas estão entre parceiros que ajudam Moçambique a avaliar as necessidades para a reconstrução de áreas afetadas pelo ciclone Idai, que passou pelo centro do país em meados de março.

Mais de US$ 3 bilhões são necessários para a recuperação das áreas afetadas pela primeira das duas tempestades que passaram pelo território moçambicano este ano, disse à ONU News o embaixador de Moçambique junto às Nações Unidas, António Gumende.

Embaixador de Moçambique junto das Nações Unidas, António Gumende
Embaixador de Moçambique junto das Nações Unidas, António Gumende, by Captura vídeo

Apoio

“Há a conferência de doadores que se projeta para finais do mês, faz parte desse grande esforço. Não é fácil em tão pouco tempo fazer o levantamento das necessidades e, para isso, podemos contar com especialistas colocados pelo sistema das Nações Unidas e outros parceiros para nos ajudarem neste processo. E a ação do governo, que criou um gabinete específico para se responsabilizar por este processo. Portanto, isso mostra que o governo está a pôr, digamos assim, os pilares necessários para podermos avançar para esta fase importante que é o início da reconstrução.”

Após um encontro realizado esta quarta-feira na sede das Nações Unidas, o representante agradeceu o apoio internacional, mas destacou que esta ajuda deve continuar até que a situação do país se estabilize.

“Obviamente que os desafios se mantêm, é importante que continuemos a trabalhar em conjunto. Aqueles que tiverem possibilidades de participar nas próximas etapas, em particular na etapa de reconstrução, obviamente que o poderão fazer, mas há muitas formas de continuar a apoiar, incluindo a continuação da mobilização de recursos, por outras vias, quer da sociedade civil, quer do setor privado, quer de outros atores que possam ter um papel a jogar nesta etapa que é crucial para voltar, de certa forma, a pôr a economia das regiões afetadas sobre os carris.”

António Gumende destacou ainda que a revitalização da economia e das infraestruturas precisa de várias iniciativas com apoio de doadores.  Entre essas áreas estão reconstrução, estimulo à economia e ao desenvolvimento.

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Famílias afetadas pelo ciclone Idai deixam abrigo temporário na Beira, Moçambique., by Acnur/ Luiz Fernando Godinho

Campos 

A passagem do ciclone Idai causou danos em mais de 90% da área da segunda maior cidade moçambicana. As inundações devastaram mais de 800 hectares, que correspondem a cerca de 13% das plantações nos campos agrícolas.

“Eu penso que esta conferência que está sendo preparada para finais do mês é um momento crucial, porque vai permitir, de certa forma, avaliar de forma objetiva o momento com que recursos podemos contar de imediato. É claro que o processo de reconstrução vai ser um processo de longo prazo, um processo que vai ser de um a dois anos. Portanto vai ser um processo contínuo, fala-se de cerca de que excede 3 bilhões de dólares. Esse valor a ser mobilizado obviamente que não será de uma aplicação imediata, somente para Moçambique, portanto vai ser um processo que vai levar o seu tempo e esperamos poder continuar, portanto, a contar com o apoio e a solidariedade da comunidade internacional com tem sido até agora.”

O ciclone Idai também afetou o sul do Maláui e o leste do Zimbábue, países que fizeram parte do evento promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, e o Escritório para Assuntos Humanitários, Ocha.

O norte de Moçambique também foi afetado pelo ciclone Kenneth que causou quantidades significativas de chuvas acima da média e levaram a inundações generalizadas e sem precedentes.

   

 

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