Um em cada sete bebês nasce com baixo peso
BR

16 maio 2019

Alguns países lusófonos, como Moçambique, Angola e Guiné-Bissau, melhoraram os seus resultados; outros, como Portugal e Brasil, regrediram; com atuais taxas de redução, Estados-membros não devem cumprir objetivo estabelecido até 2025.  

Mais de 20 milhões de bebês nasceram com baixo peso em 2015. O número representa cerca de um em cada sete nascimentos em todo o mundo. Quase três quartos dessas crianças nasceram no sul da Ásia e na África Subsaariana.

A conclusão é de um relatório publicado na quinta-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Organização Mundial de Saúde, OMS, e Escola de Higiene e Medicina Tropical do Reino Unido.

Lusófonos

Mãe dá de beber ao filho na Escola Samora Machel, em Búzi, que acolhe deslocados do ciclone Idai, Unicef/Prinsloo

Em relação aos países lusófonos, Moçambique e Guiné-Bissau tiveram as quedas mais acentuadas no número de bebês que nascem com baixo peso. Os dois países tiveram uma redução anual média de 1.2%. Angola teve um resultado semelhante, com uma baixa média de 1.1%.

Portugal, com -1.2%, e Brasil, com -0.5%, tiveram o resultado inverso, tendo uma porcentagem maior de bebês nesta situação em 2015 do que em 2010.

O estudo não apresenta resultados para São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

Compromisso

Em 2012, todos os 195 estados membros da OMS se comprometeram com uma redução de 30% na prevalência de baixo peso ao nascer até 2025, em comparação com as taxas de 2012.

Segundo as novas estimativas, a prevalência mundial de baixo peso ao nascer caiu ligeiramente, de 17,5% em 2000 para 14,6% em 2015. O estudo indica, no entanto, que com as taxas atuais de progresso o mundo ficará bem aquém da taxa de redução anual de 2,7% exigida para atingir a meta da OMS.

Os resultados destacam a necessidade urgente de mais investimento e ação para acelerar o progresso. Entre as principais causas do problema, estão os extremos da idade materna, gravidez múltipla, complicações obstétricas, condições maternas crônicas, infecções e estado nutricional.

Resultados

Nos países de baixa renda, o baixo crescimento no útero é uma das principais causas. Nas regiões mais desenvolvidas, é muitas vezes associado à prematuridade, quando um bebê nasce antes de 37 semanas de gestação.

O peso baixo é um problema tanto em países de baixa renda como alta renda, Unicef/Ilvy Njiokiktjien VII Photo Agency

Em nota, a autora principal do estudo disse que “apesar dos compromissos claros, as estimativas indicam que os governos nacionais estão fazendo muito pouco.” Hannah Blencowe diz que tem “visto muito poucas mudanças ao longo de 15 anos."

Segundo a especialista, “para atingir a meta global de nutrição de uma redução de 30% até 2025, será necessário mais do que dobrar o ritmo do progresso."
Os autores do estudo pedem uma ação internacional para garantir que todos os bebês sejam pesados ​​ao nascer, para melhorar o atendimento clínico e promover ações de saúde pública.  

Diferenças

Uma das taxas mais baixas de baixo peso ao nascer em 2015 foi encontrada na Suécia, com 2,4%. Outros países de alta renda têm taxas acima dos 6%, como é o caso do Reino Unido, Estados Unidos e Austrália.

Algumas das regiões com maiores progressos são também as que apresentam maior número de bebês com baixo peso. No sul da Ásia e na África Subsaariana foi registado um declínio anual de 1,4% e 1,1%.

Apesar desse progresso, o número total aumentou na África Subsaariana de 4,4 milhões para 5 milhões de bebês, devido a questões como fertilidade e migração. O mesmo acontece na Ásia Meridional, onde nascem quase metade destes bebês, cerca de 9,8 milhões em 2015.

Os países de alta renda na América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia são os países com progressos mais lentos, com uma anual redução média de 0,01%.

Em nota, uma especialista do Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul disse que “os autores apresentam um apelo urgente e prático para melhorar consideravelmente a cobertura da pesagem ao nascer.” Apesar dessas indicações, Tanya Doherty diz que “conseguir isso, especialmente em situações de emergência ou sistemas de saúde fracos, continua sendo um desafio”.

 

 

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