Guiné-Bissau com “forte interesse” em novo programa do FMI

13 maio 2019

Grupo de especialistas visitou o país e reuniu com chefes de Estado e de governo; nova visita pode acontecer em setembro para discutir acordo com novo executivo; em 2019, défice orçamental deve ser 3% e economia deve crescer 5%.

O Fundo Monetário Internacional, FMI, disse que as autoridades da Guiné-Bissau mostraram “forte interesse” em ter um novo programa apoiado pela instituição.

Um grupo de especialistas da instituição visitou o país entre 6 e 10 de maio e manteve encontros com autoridades nacionais para discutir os desenvolvimentos no setor financeiro e explorar o interesse das autoridades em um novo acordo.

Dificuldades

Jovem eleitora em Bissau deposita seu voto., by Alexandre Soares

Em nota, o FMI afirma que “a posição fiscal da Guiné-Bissau continua sob pressão, com um significativo défice de financiamento para 2019.”

Apesar dessas dificuldades, destacam “um movimento promissor no sentido de resolver disputas relacionadas ao resgate bancário anulado pelo governo em 2015.”

O grupo de especialistas foi liderado por Tobias Rasmussen. O representante disse que a posição fiscal do país “continua sob pressão.” A instituição prevê que o déficit orçamental seja “significativamente maior do que o previsto no projeto de orçamento”, cerca de 3% do Produto Interno bruto, PIB.

O especialista diz que a maior produção da castanha de caju deve aumentar o crescimento do PIB de 3,8% em 2018 para cerca de 5% em 2019, mas avisa que “os preços mais baixos do produto implicam riscos para a atividade económica e a arrecadação de receita do governo.”

Discussões

A missão teve reuniões com vários representantes, como o presidente, José Mário Vaz, o primeiro-ministro, Aristides Gomes, e o presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, Paigc, Domingos Simões Pereira, que venceu as eleições legislativas em março.

Rasmussen disse que “as discussões se concentraram em medidas para garantir a sustentabilidade fiscal e fortalecer a gestão financeira pública”, como maior mobilização de receitas, gastos mais rigorosos e identificação de financiamento adicional.

Meninos em ruas de Bissau., by Alexandre Soares.

Para o especialista, “o novo governo, que ainda não está em vigor após as eleições de 10 de março, precisará aprovar um orçamento para 2019 com o objetivo de reduzir o déficit dentro do critério de 3% do PIB o quanto antes.”

Planos

As discussões também abordaram a evolução do setor financeiro. A instituição afirma que “os desafios associados à incerteza e à capitalização impediram o desenvolvimento do setor financeiro por vários anos e foram um fator importante por trás do declínio no crédito bancário à economia observado em 2018.”

Segundo a nota, “os planos para uma solução amigável da disputa e a nova capitalização de um banco estão agora avançando rapidamente.” O FMI diz que se o processo for “concluído com êxito, fornecerá um apoio importante para a estabilidade financeira e o crescimento a longo prazo.”

A instituição diz ainda que pode regressar ao país em setembro para discutir com o novo governo um novo acordo de crédito.

 

 

 

 

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