FMI diz que taxação de contribuintes mais ricos pode ajudar contra desigualdade
BR

8 janeiro 2020

Kristalina Georgieva defende novas políticas para combater desequilíbrio de renda; artigo destaca formas de tributação e gastos com uma dimensão de gênero.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, FMI, defende que é possível aumentar o imposto de renda dos mais ricos sem sacrificar o crescimento econômico.

Em artigo publicado esta terça-feira, em Washington, Kristalina Georgieva, cita estudos da instituição apontando que taxar contribuintes que estão no topo da distribuição de renda pode ser útil para combater a desigualdade.

Kristalina Georgieva defende que é possível aumentar o imposto de renda dos mais ricos sem sacrificar o crescimento econômico. Foto: ONU / Jean-Marc Ferré

Desafio

Para Georgieva, é preciso uma abordagem diferente para enfrentar essa disparidade que transformou “num dos desafios mais complexos e desconcertantes da economia global”.

A chefe do FMI fala em desigualdades de oportunidade, entre gerações, entre mulheres e homens, e que as mesmas estão crescendo em alguns países.

Para combatê-las, a diretora-gerente sugere que estas sejam repensadas.  Segundo ela, apesar de ser difícil implementar reformas políticas, “os ganhos em termos de crescimento e da produtividade valem o esforço”.

Política Fiscal

Georgieva disse que a tributação progressiva é um componente essencial da política fiscal eficaz.  A diretora-gerente defende ainda que sejam usadas ferramentas digitais para aumentar a receita dos países.

Para ela, a redução da corrupção também pode melhorar a arrecadação, aumentar a confiança do governo e fazer chegar as oportunidades a “comunidades e indivíduos que estão sendo esquecidos”.

Georgieva diz que as políticas tributárias e fiscais também devem ter uma dimensão de gênero.

A esse respeito, ela destaca que enquanto muitos países reconhecem a necessidade de igualdade de gênero e autonomia das mulheres, os governos podem usar um “orçamento de gênero” para organizar gastos e impostos avançando ainda mais na questão de igualdade nessa área.

A sugestão é aumentar a participação das mulheres na força de trabalho que pode impulsionar o crescimento e a estabilidade.

IMF/Henrik Gschwindt de Gyor
Sede do FMI em Washington, nos Estados Unidos.

Efeitos

Georgieva destaca que “políticas de assistência social são cada vez mais relevantes no combate à desigualdade”.

Para a chefe do FMI, quando bem aplicadas, elas podem desempenhar um papel fundamental para mitigar a desigualdade de renda e seus efeitos nocivos sobre a desigualdade de oportunidade e coesão social.

Na próxima década, a instituição quer continuar a aposta de combate à desigualdade que nos últimos 10 anos foi introduzida em áreas como supervisão, concessão de crédito, estudos e desenvolvimento de capacidades.

 

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