No Sudão do Sul, 6 mil crianças reencontram famílias após anos de separação

18 abril 2019

Cinco anos de conflito e mais de quatro milhões de deslocados geram separação de famílias; Unicef estima que quase 8 mil crianças estejam separadas das famílias; processo de paz pode ajudar à unificação dos agregados familiares.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a Save the Children e outros parceiros conseguiram reunir 6 mil crianças com as respetivas famílias, após anos de separação devido a conflitos.

Em nota, a agência informa que este é um marco importante para o Programa de Reunificação Familiar do Sudão do Sul. A primeira reunificação, de 420 crianças, aconteceu em 2014.

Reencontro

Quase cinco anos de conflito e mais de 4 milhões de pessoas deslocadas contribuem para que existam crianças separadas das famílias em todo o país.Pnud Sudão do Sul

A criança número 6 mil, Nyandor, de 17 anos, juntamente com os seus quatro irmãos, encontrou-se com os pais, em Bentiu, esta terça-feira. Os cinco irmãos foram separados dos pais durante um ataque armado em Bor, em 2014. No meio do caos, os elementos da família fugiram em diferentes direções e não se viam desde então.

O diretor interino da Save the Children Internacional, Arshad Malik, destacou que “foi um momento emocionante para todos os envolvidos."

Quase cinco anos de conflito e mais de 4 milhões de pessoas deslocadas contribuem para que existam crianças separadas das famílias em todo o país.

O Unicef estima que no Sudão do Sul, quase 8 mil crianças estejam separadas das suas famílias ou com paradeiro desconhecido, tornando urgente o trabalho de localização familiar.

Acordo de Paz

As crianças separadas ou não acompanhadas são mais suscetíveis à violência, ao abuso e à exploração. Esta situação torna a reunificação com os seus pais uma prioridade urgente para o Unicef e parceiros.

O acordo de paz entre o governo e grupos rebeldes, assinado a setembro de 2018, fez com que os refugiados do Sudão do Sul regressassem dos países vizinhos a áreas que antes eram inacessíveis.

Caso a paz se mantenha, o Unicef considera que há uma oportunidade para intensificar a identificação e a reunificação das famílias. Para tal, é necessário garantir a continuidade do financiamento do programa.

Parcerias

A agência lembra que o rastreamento familiar continuará a ser um trabalho muito exigente, devido ao acesso limitado a estradas e a comunicações móveis no país. O sucesso do programa requer que os colaboradores se desloquem longas distâncias a pé e batam à porta de cada casa para localizar as crianças e os seus pais.

O representante da Unicef no Sudão do Sul, Mohamed Ag Ayoya, considera que “apesar de todas as dificuldades, há vários filhos a serem trazidos de volta para onde pertencem, ou seja, para junto das suas famílias.”

Tal só é possível, explica o responsável, "graças a todos os parceiros que colaboram na procura e reunificação das famílias do Sudão do Sul”. O representante destacou que “para trazer o resto das crianças de volta à casa, são necessárias parcerias fortes e o apoio da comunidade internacional.”

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