Sahel: 400 mil crianças africanas impedidas de ir à escola

28 fevereiro 2019

Unicef alerta para agravamento da violência em Burkina Faso, Mali e Níger; insegurança crescente duplicou encerramento de escolas; agência da ONU e parceiros implementam formas alternativas de educação.

A insegurança contínua e crescente na região do Sahel obrigou ao encerramento de cerca de 2 mil escolas no Burkina Faso, no Mali e no Níger.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, o número de unidades de ensino forçadas a fechar portas duplicou desde 2017.

Obstáculos

Os governos de Burkina Faso, Mali e Níger adotaram a Declaração das Escolas Seguras, comprometendo-se com a proteção e a continuação da educação em conflitos armados.FAO/Fida/PMA/Luis Tato

Ameaças aos profissionais de educação, ataques a instalações e o uso de escolas para fins militares, que de acordo com o Unicef representam uma grave violação dos direitos das crianças, interromperam a educação de mais de 400 mil crianças nestes três países. Um total de 10.050 professores estão impedidos de trabalhar ou foram deslocados devido à violência.

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, considera que “os ataques diretos contra escolas, professores e crianças em idade escolar, e a ocupação militar de locais de aprendizagem são sérias violações dos direitos das crianças.”

A representante destaca que quando as crianças não têm acesso à escola, especialmente em tempos de conflito, “não só não conseguem aprender as competências necessárias para construir comunidades pacíficas e prósperas” mas também “se tornam vulneráveis ​​a formas horríveis de exploração, incluindo abuso sexual e recrutamento forçado em grupos armados.”

Declaração

Também o enviado especial das Nações Unidas para a Educação Global, Gordon Brown, enfatizou que “as crianças muitas vezes são vítimas do conflito, e as suas escolas, que já foram locais seguros para aprender, muitas vezes se tornam locais de violência."

Os governos de Burquina Faso, Mali e Níger adotaram a Declaração das Escolas Seguras, comprometendo-se com a proteção e a continuação da educação em conflitos armados.

Com muitas regiões do Sahel a viver insegurança crescente, o Unicef continua comprometido em trabalhar com as autoridades educativas e as comunidades para apoiar oportunidades alternativas de aprendizagem.

Segundo o Unicef, esta semana, o governo de Burquina Faso adotou uma nova estratégia para a proteção e continuação da educação em áreas de alta insegurança, demonstrando um compromisso renovado de oferecer educação a todas as crianças do país.

Alternativas

O Unicef garante estar a trabalhar com os seus parceiros no terreno para implementar medidas que salvaguardem a educação.Acnur/ H.Caux

A nova estratégia inclui a preparação de currículos para ajudar as crianças cujas escolas foram fechadas a acompanhar a aprendizagem, a integração de crianças deslocadas em escolas, o reforço da segurança escolar e a reconstrução de escolas danificadas ou destruídas.

Além disso, uma parceria entre os governos do Burquina Faso, dos Camarões e do Níger está a ajudar a expandir um inovador programa de educação por rádio que oferece uma plataforma de aprendizagem alternativa para crianças e jovens afetados por conflitos.

Para tal, aulas de alfabetização e numeracia são transmitidas via rádio em francês e várias línguas nacionais. O programa também está a ser implementado na República Centro-Africana, na Guiné-Bissau, na Serra Leoa e na República Democrática do Congo.

O Unicef garante estar a trabalhar com os seus parceiros no terreno para implementar medidas que salvaguardem a educação. Isso inclui fornecer ferramentas para professores que trabalham em locais de alta insegurança, apoio psicossocial e cuidados para crianças em idade escolar que vivem com marcas da violência.

Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News 

Baixe o aplicativo/aplicação para  iOS ou Android

Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

No Conselho de Segurança, Guterres alerta para perigo de mercenários em África

Secretário-geral falou em debate de alto nível organizado pela Guiné Equatorial, que preside o Conselho este mês; encontro incluiu presidente da Guiné Equatorial, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda e o presidente da Comissão da União Africana.

Chefe das Operações de Paz homenageia grupo de soldados de paz no Chade 

País perdeu 10 soldados de paz em serviço das Nações Unidas há uma semana; nação da África Ocidental é o segunda maior contribuinte de tropas para Minusma com 1.450 tropas e 22 membros da polícia.