ONU precisa de US$ 920 milhões para ajudar mais de 900 mil refugiados rohingya

15 fevereiro 2019

Plano de Resposta Conjunta de 2019 para a crise humanitária  lançado esta sexta-feira; chefe da OIM, António Vitorino, destacou generosidade e apoio das autoridades de Bangladesh e das comunidades locais.

As Nações Unidas precisam de angariar US$ 920 milhões para ajudar mais de 900 mil refugiados rohingya em Bangladesh. Os fundos também devem apoiar cerca de 330 mil pessoas vulneráveis ​​das comunidades de acolhimento.

O apelo faz parte do Plano de Resposta Conjunta de 2019 para a crise humanitária rohingya, lançado esta sexta-feira em Genebra.

Necessidades

Em entrevista à ONU News, antes da apresentação do pedido, o chefe adjunto de missão da OIM na área bengalesa de Cox’s Bazar, Manuel Marques Pereira, explicou quais as maiores necessidades neste momento.

“Hoje em dia, as maiores necessidades que continuamos a enfrentar são os limitados recursos económicos que temos para poder garantir os serviços básicos. Mas importa também relembrar que é necessário educação, que são necessários meios de subsistência e é muito, muito importante reforçar a capacidade de identificar as necessidades dos mais vulneráveis, que geralmente têm necessidades muito específicas.”

Serviços

Os fundos solicitados pela ONU serão usados em serviços críticos, como alimentos, água, saneamento e abrigo, que  representam mais da metade das necessidades de financiamento. Também serão prestados serviços de saúde, realizada a manutenção de acampamentos e atividades de proteção, educação e nutrição.

Desde agosto de 2017, mais de 745 mil refugiados rohingya fugiram da violência do estado de Rakhine, em Mianmar, para Cox's Bazar, em Bangladesh. No local, já viviam cerca de 200 mil deslocados.

Importância

Crianças estão entre as populações mais vulneráveis, by Acnur/Santiago Escobar-Jaramillo

Na apresentação do Plano de Resposta, o diretor-geral da Organização Internacional para Migrações, OIM, António Vitorino, destacou a generosidade e o apoio das autoridades de Bangladesh e comunidades locais.

O representante disse que "a solidariedade demonstrada pelo Governo do Bangladesh e o compromisso dos parceiros humanitários garantiram a implementação bem-sucedida do primeiro Plano de Resposta Conjunta em 2018.”

Para este ano, Vitorino diz que a agência “reitera o compromisso de atender às necessidades extremas desta população e pede à comunidade internacional para apoiar os esforços."

Por sua vez, o alto comissário para Refugiados, Filippo Grandi, afirmou esperar “contribuições oportunas, previsíveis e flexíveis para cumprir as metas do apelo deste ano."

Avanços

O chefe da Agência da ONU para Refuguados, Acnur, repetiu o apelo para que “Mianmar tome medidas urgentes para lidar com as causas profundas desta crise que persiste há décadas, para que as pessoas não sejam mais forçadas a fugir e possam voltar para casa em segurança e dignidade.”

Nos últimos 12 meses, as agências da ONU trabalharam para melhorar as condições dos acampamentos, fornecendo assistência básica, melhorando as condições de vida e implementando medidas de mitigação do risco de desastres nas estações de monções e ciclones.

O impacto ambiental foi reduzido, através de esforços como a redução do uso de lenha, que foi conseguido com o fornecimento de gás como combustível alternativo para cozinhar e aquecer.

Os níveis de subnutrição aguda desceram abaixo dos níveis de emergência, passando de 19% para 12%, e a segurança alimentar melhorou. A cobertura de vacinação cresceu para 89% e a proporção de mulheres que dá à luz em unidades de saúde subiu de 22% para 40%.

Dificuldades

Apesar destes avanços, os rohingya permanecem em situação extremamente precária.

Por exemplo, durante a estação das chuvas em 2018, toda a população de refugiados recebeu kits básicos de abrigo de emergência, mas agora são necessários abrigos mais seguros e robustos.

Cerca de 860 mil refugiados recebem assistência alimentar, mas apenas 240 mil conseguem diversificar a dieta além do pacote mínimo de arroz, lentilhas e óleo.

Estes recursos devem ser expandidos para garantir uma boa nutrição e saúde. Da mesma forma, investimentos em água potável e saneamento, saúde e serviços de proteção continuam sendo vitais.

Para a ONU, até que “até que as causas profundas do deslocamento sejam resolvidas e os refugiados possam retornar voluntariamente com segurança e dignidade, deve-se fornecer apoio às autoridades de Bangladesh para atender às necessidades dos refugiados e das comunidades anfitriãs.”

No ano passado, o Plano de Resposta Conjunta de 2018 foi financiado em 69%, recebendo US$ 655 milhões dos US$ 950 milhões solicitados.

 

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