Cox’s Bazar: recursos continuam limitados 18 meses após chegada dos rohingya

12 fevereiro 2019

Em entrevista à ONU News, o português Manuel Pereira faz balanço da crise dos refugiados rohingya; chefe adjunto de missão da OIM disse que agência apoiou cerca de 1,2 milhão de pessoas nesta região do Bangladesh em 2018.

O chefe adjunto de missão da Organização Internacional para Migrações, OIM, em Cox’s Bazar, Manuel Marques Pereira, diz que os recursos limitados continuam a ser um dos maiores desafios na crise de refugiados rohingya.

No ano passado, a OIM prestou assistência a cerca de 1,2 milhão de pessoas nesta região do Bangladesh, incluindo refugiados e membros da comunidade de acolhimento.

Dificuldades

Chefe de missão adjunto da OIM em Cox’s Bazar, Manuel Marques Pereira
Chefe de missão adjunto da OIM em Cox’s Bazar, Manuel Marques Pereira, by Captura vídeo

“Hoje em dia, as maiores necessidades que continuamos a enfrentar são os limitados recursos económicos que temos para poder garantir os serviços básicos. Mas importa também relembrar que é necessário educação, que são necessários meios de subsistência e é muito, muito importante reforçar a capacidade de identificar as necessidades dos mais vulneráveis, que geralmente têm necessidades muito específicas.”

Em breve, será lançado o Plano de Resposta Conjunta 2019, pedindo cerca de US$ 920 milhões. O último foi lançado em março de 2018 e obteve 69% do financiamento.

Estabilidade

Desde agosto de 2017, chegaram a Cox’s Bazar perto de 713 mil rohingyas que fugiam da violência e perseguição em Mianmar. A maior parte destas pessoas, mais de 620 mil pessoas, estão vivendo em Kutupalong, considerado o maior acampamento de refugiados no mundo.

Em entrevista à ONU News, de Cox’s Bazar, Manuel Marques Pereira disse que o total de pessoas que vivem nestes acampamentos estabilizou no último ano e meio.

“Os números de refugiados nos campos estão estabilizados. Temos, aproximadamente, um milhão de pessoas. O mais importante para nós é continuar a discutir com o governo do Bangladesh e com as comunidades as preocupações e as informações que eles acham necessárias para se poder discutir qual será o seu futuro imediato e a meio termo.”

Ajuda

O último balanço da agência, publicado no início de fevereiro, explica que a OIM e os seus parceiros realizaram melhorias nos acampamentos, incluindo a construção ou reparação de 410 pontes e melhoria de 25 caminhos pedestres.

A agência também construiu sistemas de tratamento e distribuição de água e distribuiu mais de 26 mil kits de higiene. A nível de saúde, ofereceu perto de 1,7 mil consultas diárias, incluindo 470 consultas a crianças. Apenas no mês de janeiro, ajudou no parto de 273 bebés.

Manuel Marques Pereira, que também é responsável pelas operações humanitárias na crise rohingya, diz que é importante continuar a falar com a população para perceber quais são as necessidades e como podem ser resolvidas.

“Passado um ano e meio sobre o influxo dos refugiados para o Bangladesh, as nossas maiores preocupações continuam a ser garantir o acesso básico aos serviços, garantir que as populações continuam a comunicar conosco para podermos entender quais são as suas necessidades e quais são as suas dificuldades.”

O responsável lembra também que começa em breve o esforço de preparação para a época das monções. Pereira contou que será “um período muito complicado da manutenção do acesso aos serviços, da distribuição­ dos serviços e da comunicação com as pessoas.”

Lembre neste vídeo os principais desafios no início da operação da OIM: 

 

 

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