Há dois anos rohingyas formavam maior assentamento de refugiados do mundo
BR

24 agosto 2019

Desde a chegada dos refugiados rohingya ao Bangladesh, foram feitas melhorias na nutrição, abrigo, saneamento, assistência médica e registro destas pessoas, mas ainda existem desafios.

Kutupalong, o maior assentamento de refugiados do mundo, abriga mais de 630 mil refugiados rohingya. No total, mais de 900 mil pessoas desta minoria étnica vivem no Bangladesh.

A maior parte, cerca de 740 mil, fugiu da violência que eclodiu em agosto de 2017 em Mianmar, há exatamente dois anos.

Estas comunidades do Bangladesh foram as primeiras a responder à crise de refugiados que começou em agosto de 2017, sendo anfitriãs para as centenas de milhares de rohingyas que fugiram da violência e da perseguição no Mianmar. Foto: Unicef/Patrick Brown

Mudança de prioridades

O coordenador de campo da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, diz que “no primeiro ano, o foco era salvar vidas.” Oscar Sanchez Pineiro diz que a agência “assegurou que fossem fornecidos os serviços básicos necessários para as famílias sobreviverem ao período das monções e se recuperarem dos perigos de sua jornada.”

Agora, no segundo ano, o coordenador diz que “o foco está na criação de capacidade para os refugiados fazerem muitas dessas coisas por conta própria.” Segundo ele, a agência está “colocando os refugiados no centro da resposta, para fornecer serviços, atualizar abrigos e melhorar a infraestrutura."

Iniciativa

A refugiada Sahera é um dos exemplos destacados pelo Acnur.  Um projeto da agência permite que mulheres como ela possam plantar e colher seus produtos agrícolas. O projeto começou em 2018 com 100 agricultores e está em expansão.

A colheita de Sahera tem sido tão abundante que ela "costuma compartilhar os produtos com os vizinhos." A refugiada diz que "se tiver restos, vende para lojas próximas".

A iniciativa é apenas um de muitos programas em andamento. Os refugiados também estão assumindo papéis importantes em outras atividades, incluindo assistência médica, oferecendo uma gama de serviços que vão desde nutrição, cuidados perinatais e saúde mental.

Jubaida Khtun é voluntária como agente de saúde comunitária com a Gonoshastho Kendra, uma organização de Bangladesh parceira do Acnur. Ela vai de abrigo em abrigo nos enormes assentamentos para aumentar a consciência sobre os serviços disponíveis.

Jubaida disse que, como ela, estas pessoas vieram de Mianmar porque “estavam sofrendo.” Ela diz que os ajuda “em seu sofrimento para que possam ser felizes.”

O Acnur também está trabalhando para registrar todos os refugiados. Até o momento, mais de 500 mil foram registrados em conjunto pelas autoridades de Bangladesh e pela agência.

Outros projetos apoiam as comunidades anfitriãs. As iniciativas incluem reparos em prédios públicos, melhoria do acesso a tratamentos médicos e até distribuição de materiais para ajudar as pessoas a proteger suas casas contra intempéries.

Acnur/Santiago Escobar-Jaramillo
Refugiados rohingya em Cox's Bazar

Desafios

Embora grandes avanços tenham sido feitos para apoiar e melhorar a vida dos refugiados e seus anfitriões, os desafios permanecem.

Até final de julho, o Acnur e parceiros tinham recebido US$ 318 milhões, pouco mais de um terço do total de US $ 920 milhões necessários em 2019.

Cerca de 55% destes refugiados têm menos de 18 anos e 41% têm 10 anos ou menos. Cerca de 36% das crianças entre três e 14 anos não tem acesso à educação primária, enquanto mais de 96% dos refugiados entre os 15 e 24 anos não participam de nenhuma atividade de aprendizagem.

Apesar desses desafios, o Acnur e seus parceiros ajudaram a construir e administrar 426 salas de aula, 58 clubes de adolescentes e 1,2 mil centros comunitários de desenvolvimento da primeira infância.

Além disso, recrutou 1.257 professores da comunidade Rohingya e das cidades vizinhas do sudeste de Bangladesh.

 

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