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Brasil: ONU diz que é “lamentável” saída de um Estado-membro do Pacto para Migração BR

Uma criança pequena está sentada em uma mala em meio a uma multidão de migrantes e refugiados na fronteira de Pacaraima, entre o Brasil e a Venezuela.
OIM/Amanda Nero Refugiados e migrantes venezuelanos em Pacaraima, Brasil, cidade localizada na fronteira com a Venezuela.

Brasil: ONU diz que é “lamentável” saída de um Estado-membro do Pacto para Migração

Assuntos da ONU

Presidente do Brasil confirma saída do Pacto que foi adotado em dezembro; gabinete do porta-voz do secretário-geral da ONU lembra que o documento “não é juridicamente vinculativo.”

O gabinete do porta-voz do secretário-geral da ONU disse esta quarta-feira que “é sempre lamentável que um Estado-membro se retire de um processo multilateral, particularmente de um que respeita as especificidades nacionais.”

Segundo agências de notícias, o Brasil desvinculou-se do Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular, que foi adotado em dezembro.

Consultas

Em nota, Vannina Maestracci, do gabinete do porta-voz do secretário-geral, lembra que o Pacto “foi adotado em Marrocos por uma esmagadora maioria dos Estados-membros, 164, incluindo o Brasil,” e “foi depois endossado por consenso pela Assembleia Geral em dezembro de 2018.”

Maestracci lembra que o documento “não é juridicamente vinculativo” e que “cabe aos Estados participantes implementar o Pacto Global para a Migração em nível nacional.”

A responsável diz também que o Pacto “é resultado de extensas consultas, 18 meses, e negociações entre os Estados Membros, apoiadas por uma ampla gama de parceiros.”

Vista do salão da Assembleia Geral das Nações Unidas mostrando dois grandes telões exibindo os resultados da votação durante uma sessão.
Pacto Global para a Migração foi aprovado com 152 votos a favor, cinco contra e 12 abstenções. Foto ONU/ Manuel Elias

Solidariedade

Em dezembro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou o Pacto lembrando que este “aponta o caminho para uma ação humana e sensata que beneficie os países de origem, de trânsito e de destino, assim como os próprios migrantes.

O chefe da ONU destacou que o documento “apela a uma maior solidariedade com os migrantes em situações de vulnerabilidade e de abuso” e que “vai antecipar tendências futuras, desde os mercados de trabalho até aos impactos das mudanças climáticas.”

A presidente da Assembleia Geral, Maria Fernanda Espinosa, disse que o seu conteúdo “é o resultado de um amplo e intenso processo de negociações intergovernamentais” e “reflete a vontade dos Estados de abordar, com uma visão equilibrada e integral, um desafio complexo que, por sua própria natureza, é tanto transfronteiriço quanto global.”

Para Espinosa, o Pacto representa “uma oportunidade histórica de cooperação” destacando que ele “não afeta a soberania de nenhum Estado.”

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