Nicarágua: ONU apela a fim da intimidação contra mídia e sociedade civil

17 dezembro 2018

Alta comissária para Direitos Humanos pede fim a intimidação; assédio da sociedade civil e da mídia intensificou-se nos últimos meses; ONU quer voltar a ter escritório dos direitos humanos no país.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos pediu no sábado ao governo da Nicarágua que pare de imediato com a intimidação e o assédio contra a sociedade civil e a mídia.

Michelle Bachelet apelou ao governo da Nicarágua para que cesse “imediatamente a perseguição de defensores de direitos humanos, de organizações da sociedade civil, de jornalistas e de mídia que criticam o governo."

Repressão

ONU denuncia assédio a jornalistas e ataques à mídia por parte do governo.Artículo 66

A representante pediu ainda às autoridades do país que “respeitem e garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais de todas as pessoas na Nicarágua."

A alta comissária disse que lamenta os atos de repressão que ocorreram no país desde abril, e que têm vindo a intensificar nas últimas semanas com assédio a jornalistas, ataques à mídia e a recente retirada de licenças de registo a nove organizações não-governamentais, ONGs.

Michelle Bachelet reage assim aos confrontos que tiveram lugar no final da semana passada. Segundo a BBC, a polícia do país atacou vários jornalistas que protestavam depois das autoridades terem invadido e confiscado várias redações de diferentes meios de comunicação social.

Escritório

Em relatório publicado em agosto passado, a agência da ONU para os direitos humanos fazia um balanço sobre a crise de direitos humanos enfrentada pela Nicarágua.

Em comunicado, Bachelet enfatizou também a sua disponibilidade para continuar a discutir com as autoridades do país as condições para que o Escritório de Direitos Humanos da ONU volte a ter uma presença estável no país.

Ela reafirmou a sua disposição e continuar trabalhando para que seu Escritório “possa se restabelecer na Nicarágua e assim poder ajudar o Governo a cumprir sua obrigação de respeitar e defender os direitos e liberdades de seu povo.”

O governo do país, em agosto passado, determinou que não havia condições para que o Escritório continuasse a operar no país.

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