Relatório da ONU diz que crise na Nicarágua requer ações e prestação de contas
BR

29 agosto 2018

Documento, divulgado nesta quarta-feira, pede medidas urgentes para lidar com a crise de direitos humanos no país latino-americano; pelo menos 300 pessoas morreram desde 18 de abril em protestos contra o governo de Daniel Ortega.

Um relatório das Nações Unidas revela que medidas urgentes precisam ser tomadas para resolver a crise de direitos humanos enfrentada pela Nicarágua.

Segundo o alto comissário de direitos humanos, Zeid Al Hussein, enquanto o mundo faz vista grossa, a repressão e as represálias a manifestantes continuam no país centro-americano.

Medo

O relatório, divulgado nesta quarta-feira, em Genebra, informa que pelo menos 300 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas em protestos, desde abril. A maioria das vítimas são homens com menos de 30 anos incluindo muitos estudantes universitários e jovens profissionais.

Testemunhas dizem que muitas pessoas, que participaram das manifestações contra o governo de Daniel Ortega, tiveram que deixar o país ou esconder-se para não sofrerem as consequências.

Para Zeid, a violência e a impunidade que ocorrem no país evidenciam a fragilidade das instituições da Nicarágua e do Estado de direito.

Ele disse ainda que existem medo e desconfiança. Muitos médicos, professores e outros profissionais tidos como críticos do governo perderam seus empregos.

O alto comissário pediu ao Conselho de Direitos Humanos e à comunidade internacional que adotem medidas para evitar que a crise se escale em tumultos políticos e sociais ainda mais graves.

Autoridades

O relatório compilou incidentes ocorridos de 18 de abril, quando as manifestações começaram, até este 18 de agosto. 

O documento indica uso desproporcional da força por parte da polícia, com registros de execuções sumárias e desaparecimentos forçados.

Há relatos ainda de detenções arbitrárias, torturas, maus tratos e violações de direitos como liberdade de opinião, expressão e de reunião pacífica.

O documento indica que as forças de segurança atuaram em nome das autoridades de alto nível e da Polícia Nacional, ainda que o governo negue a presença de elementos armados agindo sob sua orientação nos protestos.

Mas o relatório também revela que militantes do Partido Sandinista, funcionários do governo e membros das forças de segurança, especialmente da Polícia Nacional, foram agredidos nas manifestações. Ao todo, morreram 22 agentes policiais.

O relatório revela que os manifestantes estão sendo depreciados pelas autoridades que os classificam de “comunistas”, “terroristas” e “pragas”.

 Para Zeid Al Hussein, é preciso investigar todos os abusos e violações.

 

 

 

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