Guterres deixa recado aos participantes da COP24: “Não desistam”
BR

4 dezembro 2018

Mais de 30 mil pessoas participam no evento que acontece até 14 de dezembro em Katowice; presidente da Assembleia Geral quer que Estados-membros tomem medidas necessárias para promover mudanças climáticas;

María Fernanda Espinosa quer que o evento simbolize a audácia, a coragem e a decisão de fazer a “coisa certa”. Foto ONU/Manuel Elias

O secretário-geral da ONU deixou esta terça-feira a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24, em Katowice com uma nota pedindo aos participantes que “não desistam”.

António Guterres abriu oficialmente o evento na segunda-feira na cidade da Polônia, que até 14 de dezembro deve receber mais de 30 mil pessoas e 500 voluntários.

Ambição

O chefe das Nações Unidas “encorajou vivamente” a todos na COP24 a serem ousados, francos, que aumentem a ambição climática e façam da conferência um sucesso. Guterres destacou que todos precisam demonstrar ação climática.

Falando a jornalistas, Guterres disse que a Cimeira do Clima, que acontece em setembro do próximo ano em Nova Iorque, vai concentrar-se em três resultados: elevar a ambição, ação transformadora e mobilização de cidadãos e jovens sem precedentes. 

O secretário-geral disse que o evento acontece durante "a semana de alto nível da Assembléia Geral da ONU para garantir tantos chefes de Estado e chefes de governo quanto possível."

Guterres  convidou ainda "todos os governos, empresas, fontes de financiamento, públicas e privadas, e organizações da sociedade civil a participarem do processo preparatório".

Perguntado por um jornalista se a ONU vai dialogar com produtores de combustíveis fósseis na indústria de petróleo, gás e carvão, o chefe da ONU explicou que essas interações já começaram e embora “o diálogo com a indústria seja às vezes difícil e complexo”, essas empresas estavam cada vez mais reconhecendo a necessidade de mudar e desenvolver estratégias de energia renovável.

“Coisa Certa”

A presidente da Assembleia Geral questionou o que faltava para tomar as medidas necessárias num mundo que está vendo que a mudança climática “destrói países inteiros” e sabendo que existe tecnologia para impedir esse fenômeno.María Fernanda Espinosa quer que o evento simbolize a audácia, a coragem e a decisão de fazer a “coisa certa”, no que considera um momento de emergência. Ela defende a construção de um mundo seguro e sustentável para todos hoje e para as gerações do futuro.

Durante as duas semanas da reunião, mais de 55 mil toneladas de dióxido de carbono poderão ser geradas no local.

Para compensar essa emissão, se espera plantar cerca de 6 milhões de árvores numa área de mais de 340 campos de futebol, um espaço equivalente ao maior parque do mundo, o Central Park de Nova Iorque.

Após a adoção do Acordo de Paris para combater às mudanças climáticas, os delegados de mais de 195 países devem continuar com a negociação climática.

A expectativa é que a reunião na Polônia defina estratégias para implementar a visão de futuro zero carbono do Acordo de Paris e atingir a meta de limitar o aquecimento do Planeta ao máximo de 2º C até o final do século, acima dos níveis pré-industriais, ou na meta ideal de 1,5 ºC. 

 

Secretariado Unfccc
A expectativa é que a reunião na Polônia defina estratégias para implementar a visão de futuro zero carbono do Acordo de Paris

 

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