Especial: Agricultores na Bolívia usam práticas tradicionais na luta contra a mudança climática
BR

4 dezembro 2018

Projeto de agência da ONU e governo do país busca deixar produtores mais preparados para futuro; Lidia Mondaque aplica conhecimentos aprendidos com avós para prever chuva.

Líderes mundiais estão reunidos até o dia 14 de dezembro na Polônia, na Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24.  Entre os temas do evento internacional, estão formas de lidar com os impactos da mudança climática, que já são sentidos por pessoas ao redor do mundo.

Na Bolívia, por exemplo, quase 40% da população está sendo afetada diretamente. Secas, enchentes e geadas fora de época estão destruindo a subsistência agrícola.

Lídia Mondaque, produtora de pêssegos de Charpaxi. Foto: Fida/Reprodução

Formigas

Para lidar com o desafio, produtores estão buscando soluções em conhecimentos tradicionais. O objetivo é monitorar e prever o tempo e assim desenvolver estratégias concretas para se adaptar à mudança climática. 

Na vila de Charpaxi, no sul da Bolívia, uma das atividades de Lídia Mondaque, é procurar formigas. A boliviana aprendeu com os avós que quando os insetos trabalham para fortalecer os ninhos, é sinal que a tão necessária chuva está a caminho.

Sinais

Lidia é produtora de pêssegos e também uma Yapúchiri, que é uma agricultora que observa os sinais do meio ambiente e documenta as mudanças do clima.

O uso de conhecimentos ancestrais se tornou crucial na vila, agora que a chuva não chega quando deveria. Até 2030, a previsão é de que 27% do território boliviano seja afetado por secas persistentes.

Lídia diz que gostaria que “os tempos antigos voltassem, quando se tinha mais chuva, maiores colheitas e mais fazendas”. A agricultora lembra que “tudo existia em maior quantidade, não como é agora, e que gostaria de voltar para os dias antes da mudança climática”.   

Agricultores trabalham com técnicos do projeto para criar representações visuais de como as comunidades eram no passado. Foto: Fida/Reprodução

Parceria

Para apoiar os agricultores da região, uma parceria entre o governo da Bolívia e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU, Fida, está ajudando os produtores a usarem práticas tradicionais em estratégias de adaptação para a mudança climática.

Utilizando os chamados “mapas falantes”, agricultores trabalham com técnicos do projeto para criar representações visuais de como as comunidades eram no passado, como elas são atualmente e o que esperam para o futuro. Os mapas incluem desenhos e dioramas representando as terras.

Tempos Imprevisíveis

De acordo com a ONU, o projeto inclui o uso de bio-indicadores e outras práticas tradicionais de monitoramento do clima para entender os padrões climáticos e planejar o futuro nestes tempos imprevisíveis.

A técnica de campo do projeto, Mirtha Caracoles Rivera, explica que no momento a região enfrenta “a época da seca, e existem muitos desastres naturais, e com isso as pessoas precisam se planejar com base em suas ideias, conhecimento e perspectivas sobre o presente e futuro da comunidade.”
 

Através do projeto, as comunidades apresentam os ‘mapas falantes’ numa competição, onde as propostas são julgadas por especialistas. O melhor trabalho recebe apoio financeiro e de planejamento.

A comunidade de Lidia foi uma das que teve sucesso e agora está construindo reservatórios de 1750 metros cúbicos para atender famílias próximas.

Luta

Para Lidia, é “possível lutar contra a mudança climática, desde que todos os humanos se comprometam com isso.” 

O projeto que combina conhecimentos tradicionais e ferramentas de planejamento já ajuda 11 mil pequenos agricultores da Bolívia.

 

 

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