ONU registra mais de 12 mil violações graves contra crianças em conflito na Síria
BR

26 novembro 2018

Secretário-geral destaca que partes envolvidas “mostraram desrespeito evidente pela vida e pelos direitos fundamentais das crianças”; estudo documenta mortes por apedrejamento, crucificação ou outras táticas brutais.

As Nações Unidas lançaram o segundo relatório do secretário-geral sobre as crianças e conflito armado na Síria, que apresenta violações graves cometidas contra meninos e meninas entre 16 de novembro de 2013 e junho de 2018.

O documento conclui que as partes envolvidas no conflito no país demonstraram um “desrespeito evidente pela vida e pelos direitos fundamentais das crianças”.

Crianças no campo de Rukban, na Síria. , by PMA

Aumento

No período analisado, as Nações Unidas verificaram 12.537 violações graves contra o grupo. Ao todo, foram apuradas 3,891 mortes infantis e outras 3,448 crianças feridas. Para a ONU, estes números demonstram um aumento contínuo e significativo durante os quase cinco anos que foram avaliados no documento.

De acordo com o relatório, algumas das vítimas teriam sido o resultado de armas inerentemente indiscriminadas ou desproporcionais, como bombas de barril ou munições de fragmentação. Outras crianças teriam enfrentado mortes horríveis por apedrejamento, crucificação ou outras táticas brutais.

Recrutamento

O recrutamento e uso de crianças no conflito foi a segunda violação mais prevalecente, com 3,377 casos verificados. Cerca de 25% das vítimas nesta situação tinham menos que 15 anos de idade, e o mais jovem tinha quatro.

A maioria destas crianças, 80% delas, foi usada em posições de combate por mais de 90 fações de grupos armados não-estatais, forças do governo sírio e milícias pró-governo.

 Violência

A representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflito Armado, Virgínia Gamba, disso que o “relatório descreve uma violência profundamente perturbadora contra crianças, cometida num clima de impunidade generalizada.”

A representante acrescentou que o documento também “traz evidência adicional de já é mais do que tempo para que as crianças da Síria tenham a oportunidade de viver em paz.”

O pedido da representante é que todas as partes e aqueles que tenham poder de influência sobre elas “utilizem estas informações, muitas vezes verificadas em alto risco por nossos colegas, em seus esforços para trazer uma solução política para este terrível conflito.”

Violência Sexual

O relatório cobre grande parte do conflito na Síria, marcado principalmente pela ascensão do grupo terrorista Estado Islâmico no Iraque e do Levante, Isil. Outros destaques são o uso de agentes químicos tóxicos contra civis, incluindo crianças, e as complexidades e multiplicidade de participantes armados que lutam em todos os lados do conflito, seja na forma de alianças, seja de forma independente.

Também foram documentados o rapto de 693 crianças e 98 casos de violência sexual, apesar deste tipo de crime continuar a não ser denunciado com frequência. Estes crimes incluem casamentos forçados com membros de grupos armados.

Ataques às escolas e hospitais, assim como o uso militar destas instituições, afetaram a disponibilidade de serviços médicos e educacionais essenciais. 

O relatório destaca ainda que o bloqueio ao acesso humanitário se tornou uma tática usada no conflito na Síria, especialmente através do cerco de comunidades inteiras durante meses, senão anos.

 

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