FMI vê crescimento a abrandar na Guiné-Bissau devido à queda na produção de castanha

3 outubro 2018

Economia do país lusófono deve crescer 3,8% este ano; défice do Estado deve aumentar para 3,6%; Fundo Monetário Internacional, FMI, terminou trabalho de duas semanas no país.

O Fundo Monetário Internacional, FMI, prevê que o crescimento económico da Guiné-Bissau desça para 3,8% este ano, comparado com 5,9% em 2017. A razão principal é a fraca produção de castanha de caju.

O FMI terminou na terça-feira uma missão de avaliação ao país de duas semanas. Em nota, o chefe da comitiva, Tobias Rasmussen, afirma que as discussões se centraram em aumentar a receita do Estado e fortalecer o setor bancário.

Receitas

Rasmussem explica que, “apesar de ganhos importantes nos últimos anos, a mobilização de receitas enfraqueceu e os altos níveis de créditos não produtivos continuam a pesar sobre os bancos”.

O especialista acredita que resolver esses dois pontos “será fundamental para garantir os objetivos de melhor prestação de serviços públicos e estabilidade macroeconómica para promover o crescimento inclusivo”.

Além do impacto nas exportações e no consumo interno, a baixa produção da castanha de caju teve impacto no déficit do Estado, que deve passar de 1,9% no ano passado para 3,6%.

O FMI acredita que “o progresso lento nas reformas” também teve impacto no orçamento. As receitas fiscais na primeira metade do ano estiveram 9,7% abaixo do esperado.

Representantes do FMI encontraram-se com o presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz., by Foto: Daniela Gross.

Reformas

Segundo a nota, “as autoridades estão comprometidas em implementar uma série de medidas para reforçar a captação de receitas”. O FMI acredita que estas medidas fariam crescer o Produto Interno Bruto, PIB, em 0,6% e ajudariam a manter o défice deste ano em 4%.

No setor bancário e financeiro, a instituição acredita no compromisso das autoridades em garantir que os bancos cumprem critérios de prudência, relativos à sua capitalização e empréstimos.

Missão

A missão encontrou-se com o presidente José Mário Vaz, o presidente da Assembleia Nacional, Cipriano Cassamá, o primeiro-ministro e ministro das Finanças, Aristides Gomes, a diretora nacional no Banco Central dos Estados da África Ocidental, Helena Nosolini Embaló, entre outros. Também se encontrou com representantes do setor privado e da sociedade civil.

As conclusões finais da visita serão discutidas nos próximos meses. Esta é a sexta missão de avaliação do FMI que visita o país, no âmbito de um acordo de crédito assinado com a instituição.

 

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